Bem Vindos à Blépia

Apenas lançando olhares sobre coisas e nomes.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Xenofobia como eufemismo e decadência do processo democrático.




Eufemismo ao falar do Nordeste - por que usar termos politicamente corretos que mascaram condutas do "culto homem" das regiões mais ao sul do país?

Para quem não se ateve à semântica e visa inescrupulosamente à pragmática, cuidado com sua sintaxe:

Xenofobia, do grego: "xénos": estrangeiro, aquele que não fala sua língua e não se auto-governa, por extensão, aqueles que estão longe ou bárbaros. Acrescente-se phobós, medo.

Preconceito contra nordestinos não pode ser considerado xenofobia, stricto senso, dado que eles são brasileiros e é brasileiro quem nasce no território nacional (jus terrae), salve outros casos. Todos falamos português, logo também não caberia o termo xenofobia aqui. O voto é secreto e um direito-dever; logo cada um e, por consequência, a maioria vota em quem lhe diz respeito. Os motivos são diversos e numa democracia representativa posso discordar do outro, a maioria vence segundo critérios pré-determinados e assim, os nordestinos se auto-governam porque foram às urnas, tanto quanto sulistas e sudestistas (?) se auto-governam representativamente quando votam. Defender política e incitar descriminação está muito distante de um ideal democrático.  Então, não pode haver xenofobia aqui.O termo é um eufemismo que revela no seu vazio em certos significantes algo até mais doloroso e que todo brasileiro entende imediatamente: discriminação.  Todavia  trata-se tão somente de mais uma forma de discriminação e intolerância ao diverso que não fere à coletividade e sim  prima pelos direitos individuais. Pode-se mesmo chamar, por analogia, de racismo ou discriminação por condição social.Se a discriminação for por orientação política, aplica-se o mesmo. Se a discriminação for porque alguns se consideram melhores do que outros a ponto de impor sua vontade à margem de um contrato pré-estabelecido (aqui no caso, votos válidos, TSE, etc.), tirando dos outros os direitos de orientações políticas ou outras quaisquer, ousaria gritar facismo nacionalista. Ainda assim, aplica-se analogia da Lei.  O mesmo vale para, ainda usando o princípio de analogia, os direitos das minorias, sejam elas quais forem.

Observemos ainda, no que se refere ao pleito passado, não se trata estatisticamente de minorias, mas um maioria em números. Ainda que a diferença seja mínima e nos coloque a pensar, é simples. Outros Estados ou instituições tem outros parâmetros, como os 2/3 dos presentes. Acrescento ainda que quem não votou, anulou ou algo semelhante, cobriu-se de seu direito democrático. Isso não é ilegal. Não é compreensível defender a democracia sem defender direitos individuais, nesse caso, dos eleitores do Norte e Nordeste, de votarem em quem quiserem. Se houve "currais" eleitorais e bolsa-voto deve ser vigiado e tendo provas, denunciado. Só gritar e ofender não resolverá. Podemos acreditar que se alguns ou muitos votaram em quem votaram foi por causa das bolsas sim, assim como tantos outros votaram em que votaram contra as mesmas bolsas, que no final os dois candidatos clamavam a si e a seus partidos o direito de criação do programa. Aqui não entra em mérito o posicionamento deste cidadão sobre as bolsas-algo, o ponto é a descriminação de um grupo por orientação política através de veículo público.


No caso dos posts em relação ao Nordeste basta aplicar analogia da Lei e dizer que a pessoa se sente ferida em seus princípios e condições por veículo público (internet). Acrescente-se o possível incentivo à violência. Discriminação ou racismo, conforme analogia da Lei.

Lamento muitíssimo porque tenho amigos que postaram essas coisas, separar Norte e Sul do País, mandar embora em quem iria e não foi, etc. Nem vou brigar, nem deletar, posso até ver na timeline - mas se eu fosse nordestino nessa hora, e me sentisse descriminado, procuraria um bom advogado. Ora, se alguém fizer algo semelhante comigo publicamente e me sentir descriminado em meu país, eu tomaria providências. Aliás, já tomo ao não votar em que é preconceituoso ou apoia preconceituosos - mas se perder, estando numa democracia representativa, ficaria furioso (como estou em relação a alguns pontos) - mas não partiria para a desonesta manifestação à violência.

Todos temos opiniões diversas, o conceito uniforme e mesmo análogo de verdade não faz mais parte de nossa cultura, pelo menos para a maioria. "Cada um tem sua verdade", escuto a todo momento como professor de Filosofia, mesmo que seja uma verdade sem passar pelo crivo da razão intelectiva e emotiva (sim, há que haver uma racionalidade emotiva que passe pela simpatia em termos de políticas para manutenção dos direitos individuais, colocar-se no lugar do outro). Um exemplo, eu adoro carne - mas não dispensaria ir a um restaurante vegetariano com um amigo, caso contrário ele não seria meu amigo. O contrário também é exigido - escutei uma vez, de um vegetariano amigo: que bom que vai ser na churrascaria XYZ, a parte de saladas e queijos é maravilhosa; ou ainda, vou levar salsicha de soja para churrasco.

"Se cada um exterminar na sociedade o que não quer, ninguém teria nada ou somente alguns terão tudo. Parece ser impossível que todos tenham tudo ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias." (apud moi même)

Se eu fosse nordestino não teria dúvidas de imprimir declarações e dados publicados que ferem direitos individuais e, acima de tudo, são descriminatórios. Desse modo, iria recorrer ao meios jurídicos cabíveis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sinta-se livre para expressar sua opinião.