Bem Vindos à Blépia

Apenas lançando olhares sobre coisas e nomes.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O que pensar sobre os professores?

Caríssimos,

Banalidade do mal - uma frase curinga como ouvira algumas vezes de um amigo. Cabe aqui, todavia, uma ideia - o gravíssimo não é agredir professores ou quaisquer profissionais, o doloroso não é só ver um colega de trabalho que NOS representava, querendo ou não, ser agredido - poderia estarmos em situações análogas. Estamos acostumados demais com a violência; estamos frustrados com a Animal´s farm do atual governo que se dirige à ONU com belíssimos discursos sobre direitos humanos, verba movent, exempla trahent (Palavras (co)movem, exemplos arrastam). Um governo que se contradiz na teoria e na prática.

Mas superando ou na tentativa de superar o inevitável corporativismo nesse momento, que me remete ao cuidado que temos com nossos grupos primários de relações sociais, é uma agressão a todos quando se agrede qualquer um na relação público e privado, pois torna-se o público (governo, poder) contra o público (no caso, instituição professores). Por que então parece haver uma identificação afetiva de massa quando determinadas camadas da sociedade são diretamente atacadas? Não sei, tenho opiniões muito parciais. Mas vejo, todavia, que o passado deslumbra: nós, PROFESSORES, somos uma corporação (ou se quisermos, um grupo que se autorreconhece e se dá valor altíssimo) que está na história desde que nós começamos a nos entender pela linguagem, quiçá antes. Fomos meios sacerdotes, magos, sofistas, celibatários, perseguidos, amados, etc. E aqui estamos, talvez mais valorados hoje do que uma das corporações mais respeitada e poderosa do passado em nossa cultura: os clérigos. Estamos em crise? Não, somos a própria crise, o que instabiliza, um terremoto que se inicia no magma da sociedade: a educação. Quantos sistemas e engrenagens sociais nós transformamos naquilo que acreditávamos? Ninguém precisa ver, mas trabalhamos com a formação das mentalidades que uma geração ou duas serão líderes. Soa-nos algo maquiavélico isto, e que não seja e para isso olhemos os meios adequados ao devir presente, mas é perigoso: por que se somos ou nos colocamos com responsáveis pelo benefícios de uma educação, em parte também somos pelos malefícios. Coragem, deveria ser a excelência do professor! Coragem para defender a utopia, pois queremos o mais alto, e só assim será alcançado o possível - ao contrário dos fracos que o medo toma e impede a si mesmo.

Coragem,
#professor

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