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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Os pressocráticos



O pensamento Pré-socrático


            Como vimos, uma das principais características da filosofia grega em seus primórdios foi a busca por um princípio (a)rxh/) que explicasse a origem de todas as coisas. No primeiro momento da filosofia grega acreditava-se que este princípio se encontrava na natureza ou fu/sij, por isto eles foram também chamados de naturalistas ou físicos. O mais importante neste momento da filosofia para nós é observar que é a primeira vez na história da humanidade em que o homem busca uma explicação para a realidade exclusivamente na reflexão racional sem recorrer ao mito.
            O importante aqui não são tanto as respostas destes primeiros filósofos, que num primeiro momento podemos pensar que se trata de algo ingênuo. Todavia, o importante de fato é a pergunta proposta e o método utilizado: o que é isto? Há um princípio ou elemento do qual todas as coisas são formadas? Posso conhecer este princípio ou a)rxh/ sem o auxílio dos mitos?
            O termo pré-socrático é mais um termo histórico e didático do que uma determinação real de uma época filosófica. Ele faz referência à figura de Sócrates, dado que este filósofo representa um marco na filosofia – como veremos mais adiante. Todos os filósofos antes de Sócrates podem ser chamados didaticamente pré-socráticos, contudo convém ainda assinalar que não há uma uniformidade em sentido absoluto destes primeiros pensadores. Por outro lado, há características comuns a todos eles, tais como a busca pela a)rxh/ e temas relacionados à fu/sij.
            Resta-nos outra observação sobre este período: as obras. Quase todas as obras que foram produzidas nesta foram perdidas na antigüidade, e muitas delas sequer foram escritas, dado que a tradição grega antiga estava fortemente baseada na tradição oral. Dispomos apenas de alguns fragmentos e de comentários de filósofos posteriores[1] (a chamada doxografia) que nos permitem uma tentativa da reconstrução da obra e do pensamento dos primeiros filósofos.

            De modo esquemático, procuramos destacar os principais filósofos deste período:

MONISTAS

Escola jônica: são também chamados de físicos ou naturalistas pelo seu foco de interesse.
- Tales de Mileto (fl. c. 585 a.C.) e seus discípulos Anaxímandro (fl. início séc. V a. C.) e Anaxímenes (fl. c. 585-480 a. C.). Juntos eles formam a chamada Escola de Mileto.
A a)rxh:


Tales: a água.

Anaxímandro: o ápeiron (a)/peiron), ou o indeterminado.

Anaxímenes: o ar ou pneuma (pneu=ma).




Escola italiana: possui uma visão de mundo mais abstrato do que a escola jônica, ou seja, uma explicação menos naturalista da realidade.
- Pitágoras de Samos (fl. c. 530 a. C.): o número como a)rxh/.

- Parmênides de Eléia (fl. c. 500 a. C.): veremos mais à frente.



PLURALISTAS

- Anaxágoras de Clazômena (fl. c. 500): as homeomerias como a)rxh/, pois a realidade é formada por uma multiplicidade infinita de elementos.
- Empédocles de Agrigento (fl. c. 450 a. C.): a)rxh/ é composta pelos quatro elementos (fogo, ar, água e ar).


- os atomistas:  Leucipo de Abdera (fl. c. 400 a. C.): possível fundador do atomismo.
                         Demócrito de Abdera (fl. c. 370 a. C.): a realidade é constituída por átomos e pelo vazio; no movimento dos átomos se desenvolve os fenômenos aos quais temos acessos.


            A primeira grande querela da filosofia: mobilismo versus monismo

            O mobilismo de Heráclito de Éfeso
            Heráclito foi conhecido desde a antigüidade como o obscuro. Segundo Heráclito, a realidade é formada pelo movimento, pois todas as coisas estão em fluxo. É conhecida a frase de Heráclito pa/nta r(ei/, “tudo flui”. Outro ponto central no pensamento de Heráclito é a noção de lo(goj (lógos) que é o princípio unificador da realidade em movimento. Através do lógos a realidade é vista como conflito entre os opostos que gera o movimento. Este conflito gera o equilíbrio que mantém a realidade. Por isto, Heráclito toma o fogo (pu/r) é tomado por Heráclito como o elemento primordial da realidade, pois representa bem tanto o movimento constante como o conflito permanente dos opostos. A chama representa a energia que se autoconsome, tal como o caráter dinâmico da realidade.
            “Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, porque o rio não é mais o mesmo.”



            O monismo de Parmênides de Eléia
            Parmênides pode ser considerado um adversário porque afirmava a existência de uma realidade única. Ele parte da distinção entre aparência e realidade. O movimento, segundo Parmênides e os eleatas, era apenas aparente; não a realidade como afirmou Heráclito.
            A verdadeira realidade para ele é única, eterna, imóvel, eterna, imutável, sem principio, contínua e indivisível. Esta realidade é o ser, que Parmênides considera como esférico.
            Em relação ao movimento, Parmênides demonstra que ele é apenas aparência, dado que em toda mudança, deve permanecer algo. Este algo é o ser. O ser é base fundante da lei da identidade:
            “O ser é e o não-ser não é.”
            O movimento representa o não-ser, por isto é aparência. Além disto, Parmênides afirma que “pensar e ser é o mesmo”, e é isto que permite ao homem pensar a realidade, ou seja, pensar o ser. Por isto, o pensamento deve se afastar da opinião, que é apenas aparência, tal como o movimento. Ou melhor, o próprio movimento é uma opinião e deve ser evitado, dado que a realidade é o ser.


Ludicidade da chamada primeira querela da Filosofia:




O paradoxo de Zenão de Eléia

            Trata-se de um argumento reductio ad absurdum. Aquiles e uma tartaruga disputam uma corrida. Aquiles dá uma vantagem à tartaruga. Para alcançá-la, Aquiles deveria antes percorrer metade do caminho. Quando Aquiles chegar à metade do caminho até a tartaruga, esta já teria percorrido um pouco mais. Então ele deveria percorrer novamente até a metade da nova distância, e assim ao infinito. Isto quer dizer que o espaço pode ser dividido até ao infinito, não havendo o movimento. O movimento é apenas uma ilusão dos sentidos.



[1] Basicamente desde Aristóteles (384-323 a.C.) a Simplício (séc. VI).

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