FAETEC – ETER
Prof. Dr. Michell de Mello
Prof. Dr. Michell de Mello
2º. Ano / Ensino
Médio
Contato: mafmello@gmail.com
O termo ciência
Etimologia:
o termo deriva do verbo latino scire › scientia: saber, forma de saber.
O termo latino scientia tem seu
equivalente grego e)pisth/mh (ēpistē´mē), de onde deriva também o vocábulo
epistemologia, ou seja, a ciência da ciência, ou ainda, o estudo do que seja a
ciência. No inglês e nas demais línguas neolatinas o termo “ciência” enquanto
forma de saber se manteve ligado ao radical latino (por exemplo, science (in);
science (fr); scienza (it); já no alemão há um outro termo, que contudo é
etimologicamente uma equivalência do termo latino: Wissenschaft, onde wissen
= saber e –schaft = formador de
substativo.
Estas
breves linhas sobre a etimologia do termo é importante aqui para nós na busca
de uma primeira compreensão não-ideológica do que está implicíto no termo
“ciência”: ciência é uma forma de saber, ou ainda, uma forma organizada e
estruturada de saber – independetemente da área de saber. Assim, pode-se falar
de ciência matemática, ciência física e também de ciência literária, sociológica,
filosófica ou mesmo teológica. Cada área
na sua especificidade, constitui a si mesma de modo razoavelmente independente
das outras pelo seu objeto próprio de estudo, e através dele se organiza.
O
surgimento do termo ciência: parece que a primeira vez que emerge na
civilização humana um termo equivalente ao nosso vernáculo “ciência” foi na
Grécia com o nascimento da Filosofia; por isso diz-se que esta foi a primeira
ciência e mãe de todas. O termo grego e)pisth/mh (ēpistē´mē) foi contraponto pelo
primeiros filósofos ao mu=qoj (mythos) ou narrativa, ligado demasiado a
fantasia e sem um rigorismo propriamente dito, dado que a tradição grega era
puramente oral e passada de forma espontânea; posteriormente se opôs o
termo e)pisth/mh (ēpistē´mē) à do/ca (dóxa)
ou opnião. Platão diferenciou a e)pisth/mh (ēpistē´mē) da do/ca (dóxa), dizendo
que a primeira necessariamente deve ser verdadeira, e a segundo pode sê-lo ou
não. Assim, a ciência é caracterizado no mundo ocidental pela certeza sobre
algo, já a opnião não exige em si mesma tal certeza.
Definimos
aqui ciência por uma forma de saber especializada, com objeto próprio de estudo
e método aplicável ao estudo de seu objeto.
Além do que já foi dito linhas
acima, convém ainda mencionar aqui:
Podemos
destacar três concepções de ciência, conforme a garantia de validade que se
lhes atribui:
·
Doutrina
segundo a qual a ciência provê a garantia de sua validade demonstrando suas
afirmações, isto é, interligando-as num sistema ou num organismo no qual cada
uma delas seja necessária e nenhuma possa ser retirada, anexada ou mudada, é o
ideal clássico da ciência. Aristóteles diz que a “ciência é o conhecimento
demonstrativo”. Por conhecimento demonstrativo se entende a forma de
conhecimento “da causa de um objeto, isto é, conhece-se por que o objeto não
pode ser diferente do que é[1]”.
·
Doutrina
que considera a ciência em seu aspecto descritivo, que se começou a formar com
Francis Bacon, Newton e os filósofos iluministas. Segundo Newton, a ciência tem
caráter analítico e deve se contrapor ao caráter sintético. A ciência reduz-se, assim, à observação dos
fatos e às inferências ou cálculos
fundados nos fatos. Foi esta concepção de ciência que motivou Comte a fundar a
sociologia. Ele afirmou que “o caráter fundamental da filosofia positiva é
considerar todos os fenômenos como sujeitos a leis naturais invariáveis, cuja
descoberta precisa e cuja redução ao menor número possível constituem o
objetivo de todos os nossos esforços, ao mesmo tempo em que julgamos
absolutamente inacessível e sem sentido a busca daquilo que se chama de causas,
tanto primeiras como finais[2].” Destaca-se aqui o caráter ativo e operacional
que moveu os positivistas em estabelecer os estudos sociais.
·
Doutrina
que considera como validade científica o
critério de autocorrigibilidade. Não prentensão de certeza absoluta. Esta
teoria se desenvolve em várias facetas, como por exemplo, a teoria da
falseabilidade de Popper. No cenário sociológico ela exerceu uma certa
influência (talvez grande); contudo, não alcançou a amplitude da segunda
concepção de ciência.
- Ideologia
A partir da noção de ciência podemos
pensar o conceito de ideologia em termos de ciências sociais como a expressão
contrária ao pensamento científico. Com isto queremos dizer que ciência e
ideologia não são contraditórias, isto é, excluem-se mutuamente; porém,
contrárias[3].
Com isto desejamos pensar que toda ciência propriamente dita não está isenta em
sentido absoluto de uma ideologia qualquer; um forte exemplo disto é o
pensamento positivista que se autonomeia o representante da ciência – porém é
pleno de ideologias.
Podemos estabelecer as relações
entre ciência e ideologia como uma relação
entre
proposições contrárias, onde A = ciência; E= Ideologia; sendo que ab são os
conteúdos aplicados.
Ora, nas relações entre proposições
contrárias, temos o seguinte esquema:
(1)
Se Aab = V (verdadeiro) → Eab = F (falsa)
(2)
Se Aab = F → Eab = ? (não se pode afirmar nada)
(3)
Se Eab = V → Aab = F (logo, a ideologia será tomada como ciência);
(4)
Se Eab = F → Aab = ? (não se pode afirmar nada)
Ex:
(1) Se a teoria da evolução for verdadeira, a teoria da geração expontânea da
Lamarck é falsa; (2) se a teoria da evolução for falsa, isto não implica que a
teoria da geração expontânea de Lamarck seja verdadeira; (3) Se a teoria da
geração expontânea de Lamarck for verdadeira, ela assume papel de ciência –
dado que o verdadeiro mescla-se com o científico[4] -
e torna a teoria da evolução de Darwin falsa; (4) e ainda, se a teoria da
geração expontânea de Lamarck for falsa, isto não diz necessariamente que a
teoria da evolução de Darwin seja verdadeira.
ANEXO: QUADRADO DAS OPOSIÇÕES

Aab
Eab
Subalternas
contraditórias subalternas
Iab
Oab
subcontrárias
Contrárias: Aab e Eab /
Se uma for verdadeira, a outra é falsa;
se uma for falso, não se sabe se a outra é verdadeira ou não.
V
= > F
F
=> ?
Contraditórias: Aab e Oab / Iab e Eab
V => F
F => V
Subcontrárias: Iab e Oab
F => V
V => ?
Subalternas: Aab e Iab / Eab e Oab
Universal V => Particular V
Universal F => ?
Particular F => Universal F
Particular V => ?
Ainda
sobre o termo ideologia:
Este
termo foi criado em 1801 por Destut de Tracy para designar a análise das
sensações e das idéias.
O
sentido moderno deste termo denota qualquer forma de pensamento que não tenha
caráter de validade objetiva, porém mantida pelos interesses claros ou ocultos
daqueles que a utilizam.
A
partir do século XIX a noção de de ideologia passou a desempanhar função
central no pensamento social devido à grande influência do marxismo nascente,
sobretudo na luta da denominada classe burguesa por Marx. Segundo Marx as
instituições socias são formadas a partir do processo histórico da economia (o
chamado materialismo histórico); não compreender a sociedade a partir desta
perspectiva é para os marxista uma forma clara de ideologia.
Para
Pareto a noção de ideologia, está ligada à noção de teoria não-científica,
entendo-se por esta última qualquer teoria que não seja lógico-experimental.
Em
geral, pode-se denominar ideologia toda crença usada para o controlo dos
comportamentos coletivos, entendendo-se o termo crença, em seu significado mais
amplo, como noção de compromisso da conduta, que po ter ou não validade
objetiva. Entendido nesse sentido, o conceito de ideologia é puramente formal,
uma vez que pode ser vista como ideologia tanto quanto uma crença totalmente
infundada, tanto uma crença totalmente infundada quanto uma irrealizável. O que
transforma uma crença em ideologia não é sua validade ou falta de validade, mas
unicamente sua capacidade de controlar os comportamentos de determinada
situação[5].
Esquematicamente,
podemos estabeler quanto ao termo ideologia:
Ideologia
= Interesses Específicos
De classe
·
O termo epistemologia
Este termo possui dois equivalentes:
teoria do conhecimento e gnoseologia. Alguns especialistas fazem distinções
entre eles, todavia, aqui ele será tomodo no seu sentido geral e aplicado a
todas as áreas do saber e não somente às ciências naturais.
Sistematicamente, a epistemologia
trata de um problema de cunho filosófico que diz respeito às demais áreas do
saber humano: o problema do conhecimento. Impõe-se-nos as questões “como posso
conhecer”? ou ainda, “como posso chegar a conhecer os fatos sociais”? A esta
segunda pergunta se direciona a epistemologia das ciências sociais. Vemos que
na história do pensamento o problema do conhecimento tanto geral (filosofia)
como específico (demais ciências) sempre esteve ligado a uma postura anterior,
podemos mesmo dizer, filosófica. De modo didático e muito limitado, esboçamos
as principais posições epistemológicas, citando exemplos de alguns expoentes
delas:
Absoluto (Platão)
Realismo
Referencial (Aristóteles, Tomás de Aquino)
Fenomenológico (Scheler)
Transcendental (K. Rahner)
Nominalismo
(Okham)
Racionalismo (Descartes, Leibniz)
Epistemologia
Empirismo (Hume, Locke)
Transcendental (Kant)
Idealismo
Absoluto (Hegel)
Fenomenológico (Husserl)
Existencialismo (Heidegger, Sartre)
Hermenêutica
(Gadamer)
Analítica (Wittgenstein)
A
CONCEPÇÃO CLÁSSICA DE CIÊNCIA
A
concepção de ciência em Platão
Exórdio:
Platão pode ser
considerado um contribuinte para a atual ciência?
Em que medida o
realismo absoluto platônico ajude e prejudica as ciências naturais?
Justificativa:
Visão pitagoreana
da realidade: o universo é contituído em razões matemáticas, assim como a
música. O universo como um todo é uma grande harmonia matemática e cabe ao
investigador descobrir essas proporções na efetividade. Desse modo, pode-se
dizer que Platão influencia a visão moderna de ciência, em que temos, por
exemplo, a frase de Galileu: “O universo está escrito em forma matemática, para
o entendermos, temos que aprender sua linguagem”.
1)
O
caminho da ciência
A concepção de
ciência platônica está diretamente relacionada à sua compreensão ontológica.
Partindo do problema da querela pré-socrática entre mobilismo e ser estático,
aparece um problema: não é possível haver conhecimento científico das
realidades múltiplas porque os sentidos são somente fontes de opnião.
Um auxílio para
resolver tal problema Platão assume o método dialético de Sócrates, mas ao seu
modo, elevando a dialética à verdadeira ciência e própria do filósofo. Assim
como em Sócrates, somente a dialética constitui caminho necessário para a verdade.
2)
Conceito
platônico de ciência
Platão assume a
postura do ser estático de Parmênides, mas o coloca numa esfera da realidade
totalmente distinta da esfera do sentidos, já que esses tem acesso somente ao
que é mutável. Assim, SER E CONHECER são coisas correlativas. Isto quer dizer
que tanto maior é a participação de algo no ser, e assim, tal coisa é mais
perfeita como as idéias, tanto mais perfeito é conhecimento possível de tal
coisa – observamos que essa postura platônica vai contra ao parâmetro da
ciência descritiva moderna.
Entretanto, entre
o ser e o não-ser existe uma esfera intermediária, ou seja, o ser em movimento,
o devir, havendo desse modo um certo conhecimento, imperfeito, dessa realidade
que em certa medida é, mas também não é porque é mutável.
Assim, temos:
|
o)/n
|
e)pisth/mh, gnw=sij
|
|
|
mh/ o/)n
|
a)gnwi/a, a)gnwsi/a[6]
|
|
|
ge/nesij[7]
|
do/ca
|
|
|
Realidade
|
Meio
de conhecimento
|
|
|
e/)cw tou= ou)ranou=
|
to/ nohto/n
|
|
|
o(rato/n
|
a)
região
celeste
b)
mundo
terrestre (o(rato/n,
ge/noj, ta/ o(rata/)
|
|
E ainda pode-se
ver que há 3 tipos de conhecimento:
|
CONHECIMENTO
|
OBJETO
|
MEIO
DE AQUISIÇÃO
|
|
Sensitivo
|
Seres
materiais
|
Sentidos
|
|
Racional
discursivo
|
Número
e quantidade
|
Imaginação,
razão discursiva
|
|
Racional
intuitivo
|
Seres
imateriais e não quantitativos
|
Entendimento
|
A ciência perfeita
é a ciência do racional intuitivo porque é conhecimento das idéias.
3)
Alegoria
da linha dividida em segmentos[8]
|
Mundo
visível (
to/ o(rato/n - to/ docasto/n)
|
1º.
Ei)ko/nej: imagens, sombras, reflexos,
etc. Atuação da imaginação e a conjectura
que interpreta as imagens e as sombras
|
Opnião
(do/ca)
|
|
2º.
Obejtos materias, sensíveis e visíveis (animais, plantas e coisas
fabricadas). Atuação da pi/stij
|
||
|
Mundo
intelegível (to/ nohto/n)
|
3º.
Objetos inteligíveis da matemática. A alma utiliza imagens para ter uma
hipótese, e assim, pela dialética, chegar a uma conclusão. Atuação da razão
discursiva (dia/noia), que recorre ao sensível para chegar ao inteligível.
|
Ciência
( e)pisth/mh)
|
|
4º.
Objetos inteligíveis puros, que a razão alcança sem recorrer ao sensível
(idéias). Atuação da inteligência pura (nou=j, no/hsij). Trata-se da ciência
perfeita, ou seja, a dialética. Único meio de se alcançar um princípio
absoluto, i.d, não hipotético.
|
4)
Alegoria
da caverna (Rep. 514ª-518ª)
5)
A
dialética
5.1. aspecto lógico:
a)
movimento ascendente: síntese – elimina-se as diferenças, reduz-se a
multiplicidade confusa e indeterminada à unidade concreta e determinada
expressa num conceito comum.
b)
movimentos descendente: análise – divide-se um conceito geral em suas espécies
distintas, seguindo suas particularidades, até chegar a uma espécie indivisível
na qual se encontra a forma própria do objeto
tratado.
5.2 aspecto ontológico:
A dialética é elevada ao nível de
ciência suprema, verdadeira ou i(kano/n cujos objetos são as entidades
transcendentes do mundo ideal. Assim, ao
grau supremo do ser corresponde o grau supremo do conhecer (a dialética).
Todas as demais ciências ficam
reduzidas a mera propedêutica para a dialética.
O entendimento (nou=j) e a sabedoria (fro/nhsij) somente se aplicam com exatidão
quando se trata do verdadeiro ser (to/ o(/n o(/ntwj). Por isso, a dialética é a
parte mais difícil da filosofia. Enfim, emerge a diferença entre os filo/sofoi
e os filo/docoi.
6)
Considerações
finais
- os filósofos
platônicos acreditam na racionalidade subjacente do universo e na importância
de descobri-lo;
- a contribuição
platônica para a ciência é a valorização do mundo enquanto realidade matemática
(influência da escola pitagórica), e assim, reafirma a concepção moderna de
ciência enquanto realidade descritva – que em si difere da platônica.
- as ciências
ditas naturais são formas de saber secundárias no modelo platônico e devem,
numa organização política ideal, ser próprias das classes inferiores.
ARISTÓTELES
O Conceito de ciência
FRAILE, G. História
de la filosofia: Grecia y Roma. 3. ed. Madrid: BAC, 1971, p. 436-49.
- A indução (Anal. Post. II 19, 100ª1-8; Met. I, I
980b26-982a3)
- Graus do conhecimento sensitivo:
1)
Sensação
2)
Memória
3)
Experiência (e)mperi/a)
4)
Conceito universal
5)
Arte (te/xnh/)
: “o conceito universal, enquanto visa às coisas sujeitas à mudança, à
geração e à corrupção, é o fundamento da arte, que tem por objeto a ação e a
produção” (Fraile, p. 442).
6)
Ciência (e)pisth/mh)
: “o conceito universal constitue o fundamento da ciência. Depois de ter sido
inventadas todas as artes, as ciências foram inventadas, que não têm por objeto
imediato a necessidade nem o prazer” (idem).
- Divisão das ciências (Met. VI):
|
Ciências
|
||
|
Teóricas
|
Práticas
|
Poéticas
ou produtivas (várias)
|
|
1)
Física (ente móvel)
|
1)
Política
|
-
medicina
|
|
2)
Matemática (ente quanto)
|
2)
Economia
|
-
ginástica
|
|
3)
Teologia (substância separada e eterna)
|
3)
Ética
|
-
música
|
|
|
-
dialética
|
|
|
-
retórica
|
||
|
-
poética
|
||
|
Ciências
gerais: Filosofia Primeira; Analítica (lógica) e Gramática
|
||
O
problema da ciência de Descartes a Hegel
Visão
Geral
Crise do
“aristotelismo” na ciência:
1) Início
da “crise”:
Método de eliminação de
Grosseteste: uma afirmativa pode ser deduzida de mais de um conjunto de
premissas, a melhor abordagem é eliminar todas as explicações, menos uma.
Navalha de Okham
2) Arisitotelismo
dogmático e modernidade:
2.1 A idéia do novo
2.2 Aristóteles como autoridade
atemporal nos assuntos de física
2.3 Crise entre o descoberto pela
ciência nova (experimental) e o dado da autoridade.
3) Galileu
e o ataque a Aristóteles.
3.1 Visão pitagoreana da
realidade: o universo está escrito em caracteres matemáticos.
3.2 Polêmica não contra o método
indudivo-dedutivo de aristóteles. Se aristóteles tivesse tido um telescópio,
provavelmente concordaria contra com Galileu. Crítica à adoção dos primeiros
princípios sem considerar nenhuma referência ao que é dado à sensibilidade pela
natureza (método de observação).
4) Bacon
4.1 Crítica ao método
aristotélico: expurgar o pré-conceito do filósofo natural.
Teoria dos idola:
- da tribo: natureza humana
(julgamento dá maior regularidade do que realmente existe)
- da caverna: fruto da educação
humana.
- da praça do mercado: distorções
dos termos.
- do teatro: tradição fechada
(dogmatismo).
5)
Descartes: crítica “real” ao método
aristotélico – pois se parte sempre dos primeiros princípios, sem considerar o
dado da sensibilidade.
- Método cartesiano:
a) dúvida metódica (influência de
Bacon)
b) análise
c) síntese
d) revisão
- a “mathesis
universalis”: A mathesis não é uma substância, mas um método: por isto pode ser
aplicada a toda a realidade. A mathesis
universalis deve exprimir as leis fundamentais da razão humana e estender-se a
todas as verdades demonstráveis.
Não se trata da
lógica formal porque Descartes a identifica com a escolástica, com a
silogística. Ela tem por objeto as relações e as medidas.
Como se trata de
relação e medida, é necessário existir uma enumeração
completa. É um recorrer à memória para rever clara e distitamente as partes
que nos conduziram ao conhecimento de algo.
6) O
empirismo e o retorno a Aristóteles
6.1 Locke:
O “Ensaio sobre a
inteligência humana” se divide em quatro livros:
1. negação que
existem princípios inatos;
Ainda que houvesse
verdades sobre as quais todos os homens concordassem, isso não
demonstraria de fato que tais idéias são
inatas. Aliás, não existem idéias sobre as quais todos os homens concordem. Por
exemplo, as crianças e os homens rudes não têm nenhuma idéia do princípio de
não-contradição.
“Somente por graus adquirimos as idéias e
seus termos e aprendemos seu recíproco vínculo apropriado.”
Todas as idéias
derivam da experiência, que pode ser:
a. externa: sensação
b. interna: reflexão
6.2 o ceticismo de Hume:
a)
Idéias
simples e compostas
b)
Negação
da causalidade
7) Kant
Caráter sintético do pensamento
kantiano para a ciência – os juízos sintéticos a priori
a)
valorização
da experiência através do múltiplo dado à sensibilidade (empirismo, novo
aristetelismo).
b)
Valorização
dos primeiros princípios como imutáveis, porque são a priori
(racionalismo).
c)
Super-valorização
do conhecimento das ciências naturais como única forma de conhecimento válido.
8) Hegel
e a crise do método da ciência moderna
- Devido à dialética do espírito,
cada fase da ciência é um momento necessário da manifestação da razão na
história. Assim, não há necessariamente uma ciência ou método científico
exclusivamente verdadeiro.
- Função do momento histórico na
determinação da ciência.
- Subordinação da ciência natural
à filosofia
[1]
ARISTÓTELES, Primeiros Analíticos, I,
2, 71b 9ss.
[2]
COMTE, A. Curso de Filosofia Positiva,
I §4.
[3] Tiramos
esta expressão do clássico quadrado das oposições da lógica (vejo anexo acima).
[4] No
sentido apontado por nós.
[5] Cf. IDEOLOGIA. In : ABBAGNANNO, N. Dicionário
de Filosofia. São Paulo: Marins Fontes, 2001, p. 531-33.
[6]
Ignorância.
[7]
Vir-a-ser, devir. Provavelmente há uma relação semântica com o gh= (terra) e também com o verbo gignomai=. Um tradução do uso é criatura, que
tem origem na terra, ou seja, criatura material.
[8]
Rep. 509d-511e
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