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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Introdução geral à Filosofia - Texto de apoio 1o. ETER


INTRODUÇÃO GERALÀ FILOSOFIA
I - O nascimento da Filosofia na Grécia

Diz-se que a filosofia “nasceu” na Grécia, mas como que a uma forma de saber pode ser atribuído um nascimento? Entende-se por nascimento da Filosofia  o momento a partir do qual passou a existir na sociedade humana uma formar de conceber a realidade que era algo totalmente novo e radical, que não recorria simplesmente à religião, aos mitos e à tradição de um povo, mas ao contrário, sem prescindir destes, dava um novo olhar sobre a realidade, uma verdadeira cosmovisão no sentido mais próprio do termo, isto é, uma visão do cosmo com um todo. Assim é que podemos dizer que a Filosofia nasceu, que foi original, que é algo totalmente humano na mesma medida em que é criação do homem. Da mesma forma, a Filosofia que nasceu na Grécia também foi gerada lá, por isto é tão importante para compreendermos bem o que ela é, entendermos porque a Filosofia nasceu e foi gerada na Grécia e não em outros povos e regiões tão desenvolvidos quanto à própria Grécia. Como toda gestação só pode acontecer a partir do encontro de situações bem determinadas e específicas, como por exemplo, o encontro de um homem e de uma mulher, que ambos sejam férteis, que a saúde dela seja possível para sustentar uma nova vida, de igual forma a Filosofia nasceu não só do encontro de circunstâncias específicas, mas também da possibilidade de sustentação destas condições favoráveis. São estas circunstâncias e condições que nos propomos a estudar agora.
Um outro motivo importante para buscarmos entender o surgimento da Filosofia na Grécia é que esta nova forma de conceber a realidade e buscar uma explicação estritamente racional do mundo fez com que o ocidente, que poderíamos chamar de hemisfério “filosofante” é totalmente diverso do oriente. Perguntaríamos a um jovem estudante do interior da China o que seria uma montanha e ele nos responderia, que além de ser um acúmulo de terra, ela se formou porque ali um antigo imperador foi enterrado e  quanto mais alta é uma montanha, mais antigo foi o imperador. A mesma pergunta feita a um estudante brasileiro, ele nos responderia da mesma forma quanto à constatação de que se trata de acúmulo de terra, mas dependendo do grau de instrução este estudante ocidentalizado começará a nos fornecer termos técnicos sobre o processo de formação de uma montanha, como era esta ou aquela cadeia montanhosa há muitos anos e ainda outras informações.  Pode-se já perceber que para um oriental história e lenda, tradição e descoberta não se diferenciam, e já para um ocidental isto é simplesmente absurdo, este altamente influenciado por um mundo filosofante que nasceu na Grécia não pode aceitar de modo algum que a montanha é um túmulo de um imperador, ao menos, que todas as montanhas sejam túmulos de imperadores; é simplesmente irracional e, na melhor das hipóteses, inocência e ignorância.
Entre oriente e ocidente havia idéias semelhantes que são fundantes da Filosofia, pode-se dizer que há um elo entre a sabedoria oriental e a filosofia ocidental. Enquanto a filosofia ocidental é uma forma de saber sustentada somente pela razão e organizada de forma sistemática, a sabedoria oriental não é tão sistemática  e normalmente recorre a crenças religiosas, mitos teológicos e cosmogônicos [que relatam a criação do universo]. Uma não exclui a outra, mas são formas diferentes de saber, ambas podem ser consideradas aberturas ao SER, bem como a religião, mas têm métodos e caminhos distintos. Deste modo, é incorreto falar em filosofia oriental ou filosofia budista ou hinduísta em sentido estrito, bem como falar sobre a filosofia como uma certa sabedoria ou forma de viver.
As questões da filosofia grega ou ao menos suas generalidades principais, podem ser encontradas em algumas sabedorias orientais, tais como o Zoroastrismo, o Budismo, o Hinduísmo, o Taoísmo, etc.
O Zoroastrismo, também conhecido como masdeísmo ou parsismo, estabelecida por Zoroastro ou Zaratustra (século VI  a C.) cujo principal documento é o Zendavesta. O ensinamento principal dessa religião é o dualismo entre dois princípios opostos, chamados respectivamente Ormuz e Ariman, graças ao qual ela se apresenta como solução para o problema do mal.
O Budismo, que é uma doutrina religiosa e filosófica [em sentido lato] se originou dos ensinamentos de Gautama Buda (563-480 a.C. aprox.) e que foi depois desenvolvido em várias tendências na Índia, na China e no Japão. Sua doutrina fundamental se resume nas quatro verdades nobres: 1a. A vida é dor; 2a.A causa da dor é o desejo; 3a. Obtém-se a cessação da dor com a cessação do desejo; 4a. Existe um caminho óctuplo que conduz à cessação da dor, que consiste em: a) na justa visão; b) na justa resolução, c)na justa linguagem; d) na justa conduta; e) no justo viver; f) no justo esforço; g) na justa mentalidade; h) na justa concentração. Enquanto o homem não se libertar da dor, logo, dos desejos, estará sempre sujeito à reencarnar-se (samsara); assim a felicidade é a eliminação do desejo de viver através da ascese, chegando-se ao nirvana.
O  hinduísmo ou bramanismo é a mais antiga forma de sabedoria encontrada na Índia. O tema central do pensamento hindu era a metafísica, epistemologia e filosofia da linguagem. As diferentes escolas do hinduísmo podem ser identificadas pelas diferentes formas de ver a realidade, mas todas consideravam os Vedas o seu livro sagrado uma autoridade, e também acreditavam num Eu individual (Atman). Eles tentaram convencer os outros sobre a necessidade da libertação do atman. Na sua visão metafísica da realidade, os hindus viam o atman (eu individual) como parte de uma realidade muito maior e abrangente (Brahma, o absoluto, o supremo real). Através do processo de reencarnações e   purificações, busca-se uma total eliminação do eu individual no Brahma, isto é a salvação entendida em muitas escolas do pensamento hinduísta.
O Taoísmo, doutrina de Lao-Tse (China, séc. VI a.C.) a quem é atribuído o Livro do caminho e da virtude. Em oposição ao caráter racionalista, terreno e do ensinamento de Confúcio, está o caráter místico, religioso e contemplativo do ensinamento  de Lao-Tse; nele encontramos vestígios  do panteísmo metafísico dos escritos hindus. Os dois aspectos principais da doutrina taoísta são: monismo panteísta, isto é, existe uma só realidade ou substância que é a própria divindade, mas não é uma pessoa como nas religiões monoteístas, e sim uma espécie de energia cósmica que move o universo, um élan vital. Todas as coisas são manifestações do Tao, princípio único de salvação.
Agora nos é necessário ver quais foram as condições que fizeram a Filosofia nascer em sentido próprio na Grécia e não em outras regiões, como já dissemos acima. O nascimento da Filosofia foi preparado na Grécia por causa dos assim chamados poemas homéricos, a Ilíada e a Odisséia. Nestas epopéias que constituíam a tradição oral do povo helênico, já são observadas idéias de medida, proporção e limites, tão caras ao pensamento filosófico, além disso, é comum encontrarmos aí uma idéia de causalidade [relação causa-efeito, ação-reação], embora não seja ainda científica.
Também  a religião grega foi determinante no surgimento da Filosofia. Ora, existia dois tipos de cultos praticados na Grécia antiga: a religião cívica, que as pessoas deveriam ter piedade para com o deus ou deusa que protegia a sua cidade e assim participar no templo dos ritos sagrados para que a cidade não fosse castigada, e a religião órfica, que era uma espécie de seita oculta, ou pelo menos não oficial, que buscava a purificação da alma através dos mistérios, isto é, ritos de iniciações. Como características da religião cívica que influenciaram para o surgimento da Filosofia, encontra-se o naturalismo, deuses antropomórficos (com forma humana e características bem humanas também, como por exemplo, amor e ódio, vício e virtude, etc.) e ausência de livros religiosos  e castas sacerdotais que dessem já de antemão uma resposta pronta às questões últimas dodhomem. Já na religião órfica, ela propunha questões para os seus seguidores muito interessantes, tais como o fundamento do universo, a alma imortal do homem, salvação e purificação, exercícios ascéticos e ainda dizia que cada homem tem um daimon (daimon, em português: demônio), que o cristianismo no seu processo de assimilação da cultura helênica se apropriou dele dando-lhe o nome de consciência.
Quanto à situação política grega nada poderia ser mais favorável: desfrutava-se na Grécia uma liberdade nas cidades-estado que não era conhecida em nenhuma outra parte do globo.
Assim, forem estes três fatores agregados, e não isolados, que determinaram o surgimento do pensamento filosófico: os poemas homéricos, a religião grega e situação sócio-política grega.
II – Importância  do mito para a Filosofia
O pensamento mítico consiste numa forma determinada de conceber o mundo em que se vive, como a origem do mundo, funcionamento da realidade e dos processos naturais, bem como seus valores básicos. Os mitos não têm um autor em si, mas fazem parte da tradição cultural de um povo, sua origem histórica é indeterminada e fazem parte da tradição oral de um povo. O mito não se justifica, não se fundamenta, e, portanto, não se presta à nenhuma forma de questionamento, à crítica ou à correção. Além disso, o mito sempre recorre ao sobrenatural e ao misterioso. Segundo Aristóteles, é com Tales de Mileto que começa a existir o pensamento filosófico-científico, que se pode considerar que esta nova forma de pensamento, a Filosofia, nasce da insatisfação com o tipo de explicação do real que encontramos no pensamento mítico. Assim os primeiro filósofos foram chamados de naturalistas, pois buscavam uma resposta para explicar o universo que não recorresse ao sobrenatural, mas sim ao natural. Este é o chamado naturalismo. Desta forma, entende-se melhor quando foi dito acima na diferença radical entre o ocidente e o oriente, com a filosofia o ocidente abriu-se totalmente à ciência, quer dizer, a uma explicação  natural da realidade.
Contudo, o surgimento de pensamento filosófico-científico não implica necessariamente a extinção do mito, mas numa mudança de função que permanece muitas vezes até mesmo na sociedade contemporânea, porque faz parte da tradição de um povo. O pensamento mítico e filosófico-científico não se excluem de modo necessário, mas são modos distintos de explicar a realidade, sendo que o pensamento científico pode recorrer única e exclusivamente à razão, seu instrumento próprio de trabalho.
Apêndice:
Hércules
Os Trabalhos de Hércules

Hércules (ou Héracles), o maior de todos os heróis gregos, era filho de Zeus e Alcmena. Alcmena era a virtuosa esposa de Anfitrião e, para seduzi-la, Zeus assumiu a forma de Anfitrião enquanto este estava ausente de casa. Quando seu marido retornou e descobriu o que tinha acontecido, ficou tão irado que construiu uma grande pira e teria queimado Alcmena viva, se HYPERLINK "zeus.htm"Zeus não tivesse mandado nuvens para apagar o fogo, forçando assim Anfitrião a aceitar a situação. Nascido, o jovem Hércules rapidamente revelou seu potencial heróico. Enquanto ainda no berço, ele estrangulou duas serpentes que a ciumenta Hera, esposa de Zeus, tinha mandado para atacá-lo ao seu meio-irmão Íflico; enquanto ainda um menino, ele matou um leão selvagem no Monte Citéron. Na vida adulta, as aventuras de Hércules foram maiores e mais espetaculares do que as de qualquer outro herói. Por toda a antigüidade ele foi muito popular, o assunto de numerosas estórias e incontáveis obras de arte. Apesar das mais coerentes fontes literárias sobre suas façanhas datarem apenas do século III a.C., citações espalhadas por vários locais e a evidência de fontes artísticas deixam muito claro o fato que a maioria, se não todas, de suas aventuras era bem conhecida em tempos mais antigos.
Hércules realizou seus famosos doze trabalhos sob o comando de Euristeu, Rei de Argos de Micenas. Existem várias explicações da razão pela qual Hércules se sentiu obrigado a realizar os pedidos cansativos e aparentemente impossíveis de Euristeu. Uma fonte sugere que os trabalhos eram uma penitência imposta ao herói pelo HYPERLINK "apolo.htm"Oráculo de Delfos quando, num acesso de loucura, matou todos os filhos de seu primeiro casamento. Enquanto os seis primeiros trabalhos se passam no Peloponeso, os últimos levaram Hércules a vários lugares na orla do mundo grego e além. Durante os trabalhos, Hércules foi perseguido pelo ódio da deusa Hera, que tinha ciúmes dos filhos de Zeus com outras mulheres. A deusa HYPERLINK "minerva.htm"Atena, por outro lado, era uma defensora entusiasta de Hércules; ele também desfrutou da companhia e ajuda ocasional de seu sobrinho, Iolau.
O primeiro trabalho de Hércules era matar o leão de Neméia. Como esta enorme fera era invulnerável a qualquer arma, Hércules lutou com ele e acabou estrangulando-o apenas com suas mãos. A seguir, ele removeu a pele utilizando uma de suas garras, e passou a utilizá-la como uma capa, com as patas amarradas ao redor de seu pescoço, as presas surgindo sobre sua cabeça, e a cauda balançando em suas costas. O segundo trabalho exigiu a destruição da Hidra de Lerna, uma cobra aquática com várias cabeças, que estava flagelando os pântanos perto de Lerna. Sempre que Hércules decepava uma cabeça, duas cresciam em seu lugar, e, como se isso não fosse um problema suficiente, Hera enviou um caranguejo gigante para morder o pé de Hércules. Este truque desleal foi demais para o herói, que decidiu pedir ajuda a Iolau; enquanto Hércules cortava as cabeças, Iolau cauterizava os locais com uma tocha flamejante, de modo que novas cabeças não pudessem crescer, e finalmente dando cabo do monstro. A seguir, Hércules embebeu a ponta de suas flechas no sangue ou veneno da Hidra, tornando-as venenosas.
No Monte Erimanto, um feroz javali estava se portando violentamente e causando prejuízos. Euristeu rispidamente ordenou a Hércules que trouxesse este animal vivo à sua presença, mas as antigas ilustrações deste episódio, as quais mostram principalmente Euristeu acovardado refugiando-se num grande jarro, sugerem que ele veio a se arrepender desta ordem. Hércules levou um ano para realizar o trabalho a seguir, que era capturar a Corça do Monte Carineu. Este animal parecia ser mais tímido do que perigoso. Este animal era sagrado para a deusa Ártemis e, apesar de ser fêmea, possuía lindas aspas. De acordo com a lenda, Hércules finalmente aprisionou a Corça e a estava levando para Euristeu, encontrou-se com Ártemis, que estava muito zangada e ameaçou matar Hércules pelo atrevimento em capturar seu animal; mas quando ficou sabendo sobre os trabalhos, ela concordou em deixar Hércules levar o animal, com a condição que Euristeu o libertasse logo que o tivesse visto.
Os Pássaros Estinfalos eram tão numerosos que estavam destruindo todas as plantações nas vizinhanças do Lago Estinfalo em Arcádia; várias fontes dizem que eles eram comedores de homens, ou pelo menos podiam atirar suas penas como se fossem flechas. Não está muito claro como Hércules enfrentou este desafio: uma pintura de um vaso mostra Hércules atacando-os com um tipo de estilingue, mas outras fontes sugerem que ele os abateu com arco e flecha, ou os espantou para longe utilizando um címbalo de bronze feito especialmente para a tarefa pelo deus Hefesto. O último dos seis trabalhos do Peloponeso foi a limpeza dos currais Augianos. O Rei Áugias de Élida possuía grandes rebanhos de gado, cujos currais nunca tinham sido limpos, assim o estrume tinha vários metros de profundidade. Euristeu deve Ter pensado que a tarefa de limpar os estábulos num único dia seria impossível, mas Hércules uma vez mais conseguiu resolver a situação, desviando o curso de um rio e as águas fizeram todo o trabalho por ele.
Euristeu pede agora que Hércules capture o selvagem e fez touro de Creta, o primeiro trabalho fora de Peloponeso. Assim que Euristeu viu o animal, Hércules o soltou, este sobrevivendo até ser morto por Teseu em Maratona. A seguir, Euristeu enviou Hércules à Trácia para trazer os cavalos devoradores de homens de Diomedes. Hércules amansou estes animais alimentando-os com seu brutal senhor, e os trouxe de maneira segura a Euristeu. A seguir, ele foi imediatamente mandado, desta vez para as margens do Mar Negro, para buscar a cinta da rainha das Amazonas. Hércules levou um exército junto consigo nesta ocasião, mas nunca precisaria dele se Hera não tivesse criado problemas. Quando chegou à cidade das Amazonas de Temisquira, a rainha das Amazonas estava até feliz que ele levasse sua cinta; Hera, sentindo que estava sendo fácil demais, espalhou um boato que Hércules pretendia levar a própria rainha, iniciando-se uma sangrenta batalha. Hércules, é claro, conseguiu escapar com a cinta, mas após apenas duros combates e muitas mortes.
Para realizar seus três últimos trabalhos, Hércules foi completamente fora das fronteiras do mundo grego. Primeiro foi mandado além da borda do HYPERLINK "primeira.htm"Oceano para a distante Eritéia no extremo ocidente, para buscar o Rebanho de Gérião.
Gérião era um formidável desafio; não apenas tinha um corpo triplo, mas para ajudá-lo a tomar conta de seu maravilhoso rebanho vermelho também utilizava um feroz pastor chamado Euritão e um cachorro de duas cabeças e rabo de serpente chamado Orto. Orto era o irmão de Cérbero, o cão que guardava a entrada do Mundo Inferior, e o encontro de Hércules com Gérião é algumas vezes interpretado como seu primeiro encontro com a morte. Apesar de Hércules Ter se livrado de Euritão e Orto sem muito dificuldade, Gérião, com seus três corpos pesadamente armados, provou ser um adversário mais formidável, e apenas após uma terrível luta Hércules conseguiu matá-lo. Quando retornou à Grécia, Euristeu enviou para uma jornada ainda mais desesperadora, descer ao Mundo Inferior e trazer Cérbero, o próprio cão do Inferno. Guiado pelo deus mensageiro Hermes, Hércules desceu ao lúgubre reino dos mortos, e com o consentimento de Hades e Perséfone tomou emprestado o monstro assustador e de três cabeças para mostrá-lo ao aterrorizado Euristeu; isto feito, devolveu o cachorro a seus donos de direito.
Mesmo assim, Euristeu solicitou um último trabalho: que Hércules lhe trouxesse os Pomos do Ouro de Hespérides. Estes pomos, a fonte da eterna juventude dos deuses, cresciam em um jardim nos confins da terra; foram um presente de casamento de HYPERLINK "caos.htm"Géia, a Terra, a HYPERLINK "zeus.htm"Zeus e Hera. A árvore que dava as frutas douradas era cuidada pelas ninfas chamadas Hespérides e guardada por uma serpente. Os relatos variam sobre como Hércules resolveu este trabalho final. As fontes que localizam o jardim abaixo das montanhas Atlas, onde o poderoso Atlas sustenta os céus em suas costas, dizem que Hércules convenceu Atlas a pegar as maças por ele; enquanto fazia esta jornada Hércules sustentou, ele mesmo, o céu; quando Atlas retornou, Hércules teve algumas dificuldades em persuadi-lo a reassumir o seu fardo. Outra versão da estória sugere que o próprio Hércules foi ao jardim lutando e matando a serpente ou conseguindo convencer as Hespérides a lhe entregar as maças. As maças de Hespérides simbolizavam a imortalidade, e este trabalho final significaria que Hércules deveria ascender ao Olimpo, tomando seu lugar entre os deuses.
Além dos doze trabalhos, muitos outros feitos heróicos e aventuras foram atribuídos a Hércules. Na sua busca do jardim das Hespérides, teve que lutar com o deus marinho Nereu para compelir o deus a dar-lhe as informações que necessitava; em outra ocasião enfrentou outra deidade marinha, Tritão. Tradicionalmente foi na Líbia que Hércules encontrou o gigante Anteu: Anteu era filho de Géia, a Terra, e ele era invulnerável enquanto mantivesse contato físico com sua mãe. Hércules lutou com ele e ergueu-o do solo; desprovido da ajuda de sua mãe, ficou indefeso nos braços poderosos do herói. No Egito Hércules escapou por pouco de ser sacrificado pelas mãos do Rei Busíris. Um advinho tinha dito a Busíris que o sacrifício de estrangeiros era um método infalível de se lidar com as secas. Como o advinho era Cipriota, tornou-se a primeira vítima de seu próprio conselho; quando o método se mostrou efetivo, Busíris ordenou que todo o estrangeiro temerário o suficiente a entrar em seu reino seria sacrificado. Na vez de Hércules, deixou-se ser aprisionado e levado ao local do sacrifício antes de se voltar contra seus agressores e matar uma grande quantidade deles.
Hércules não raramente se envolvia em conflito com os deuses. Em uma ocasião, quando não recebeu uma resposta que estava esperando da sacerdotisa do HYPERLINK "apolo.htm"Oráculo de Delfos, tentou fugir com o trípode sagrado, dizendo que iria criar um oráculo melhor por sua própria conta. Quando Apolo tentou detê-lo, ocorreu uma violenta discussão, que foi resolvida apenas quando Zeus arremessou um relâmpago entre eles.
Hércules era muito leal aos seus amigos; mais do que uma vez ele arriscou sua vida para ajudá-los, sendo o caso mais espetacular o de Alceste. Admeto, Rei de Feres na Tessália, tinha feito um acordo com Apolo que, quando chegasse a hora de sua morte, poderia continuar a viver se encontrasse alguém que quisesse morrer em seu lugar. Entretanto, quando Admeto estava se aproximando da hora da sua morte, mostrou-se ser mais difícil do que tinha calculado arranjar um substituto; após seus parentes mais velhos terem egoisticamente se recusado ao sacrifício, sua esposa Alceste insistiu para que fosse a sacrificada. Quando Hércules chegou, ela já tinha descido ao Mundo Inferior, indo ele imediatamente atrás dela. Então lutou com a morte e venceu, trazendo-a de volta em triunfo ao mundo dos vivos.
Hércules era o super-homem grego, sendo muitas das estórias de seus feitos interessantes contos de realizações sobre-humanas e monstros fabulosos. Ao mesmo tempo Hércules, assim como HYPERLINK "ulisses.htm"Ulisses, também atua como se fosse um homem comum, sendo suas aventuras como parábolas exageradas da experiência humana. Irritadiço, não extremamente inteligente, apreciador do vinho e das mulheres (suas aventuras amorosas são muito numerosas), era uma figura eminentemente simpática; e no geral seu exemplo deveria ser seguido, pois destruía o mal e defendia o bem, superando todos os obstáculos que o destino lhe colocou. Além de tudo, ofereceu alguma esperança para a derrota da ameaça última e crucial do homem, a morte.
O fim de Hércules foi caracteristicamente dramático. Uma vez, quando ele e sua nova noiva Dejanira estavam atravessando um rio, o centauro Nesso ofereceu-se para transportar Dejanira, e no meio da correnteza tentou raptá-la. Hércules matou-o com uma de suas flechas envenenadas, e ao morrer, Nesso, simulando arrependimento, incentivou Dejanira a pegar um pouco de sangue do seu ferimento e guardá-lo; se Hércules algum dia parecesse cansado dela, deveria embeber um traje no sangue e dá-lo para que ele o vestisse; após isso, ele nunca mais olharia para outra mulher. Anos mais tarde Dejanira lembrou-se deste conselho quando Hércules, voltando de uma distante campanha, mandou à frente uma linda princesa aprisionada pela qual estava evidentemente apaixonado. Dejanira mandou a seu marido um robe tingido pelo sangue; ao vestir a roupa, o veneno da Hidra penetrou na sua pele e ele tombou em terrível agonia. Seu filho mais velho, Hilo, levou-o ao Monte Eta e depositou seu corpo, retorcido porém ainda respirando, numa pira funerária, a qual acabou sendo acesa pelo herói Filoctetes. Entretanto, os trabalhos de Hércules asseguraram-lhe a imortalidade, assim ele subiu ao Olimpo e assumiu seu lugar entre os deuses que vivem eternamente.
                                                                                                                                               
Noções fundamentais do pensamento filosófico-científico
É no surgimento  desta forma de pensar, o pensamento filosófico-científico que a ciência e a cultura modernas tiveram seu início em nossa tradição. A visão de mundo inaugurada pelos primeiros filósofos permanece até os nossos dias, embora tenha ocorrido inúmeras transformações históricas e sociais, a essência e o fundamento permaneceram em nossa cultura, que podemos chamá-la de helênica. As principais características do pensamento filosófico-científico são:
A fu/sij (physis) ou natureza
Aristóteles (Metafísica I, 2) chama os primeiros filósofos de físicos, porque buscavam sua resposta na realidade. Seu objeto de estudo foi o mundo natural, buscando explicações que não recorram ao mundo sobrenatural.
A causalidade
Estabelecimento de uma conexão causal entre  dos processos e dos fenômenos naturais constitui a forma básica da explicação científica, que possui, então, um caráter regressivo, busca a origem do fenômeno.
a)rxh/ (arkhé) ou elemento primordial
Para não ficar buscando uma causa ao infinito, e isto seria insatisfatório, os primeiros filósofos vão postular a existência de um elemento primordial que serviria de ponto de partida para todo o processo. O primeiro a formular esta noção é Tales de Mileto, que afirma ser a água o elemento primordial. A importância da noção de arkhé está exatamente na tentativa por parte desses filósofos em apresentar uma explicação da realidade em sentido mais profundo, estabelecendo um princípio básico que permeie toda a realidade, que de certa forma a unifique, e que ao mesmo tempo seja um elemento natural.
Ko/smoj (cosmos)
É o mundo natural, enquanto realidade ordenada de acordo com certos princípios racionais. Assim entendido, opõe-se ao kaoV (caos), desordem.
Lo/goj (logos)
Termo que significa inicialmente discurso, que difere radicalmente do muqoV (mýthos, mito), pois é o logos necessariamente uma explicação, em que razões são dadas,fruto somente da investigação do intelecto humano; ao contrário do mito, que recorre ao sobrenatural.
O caráter crítico
As teorias formuladas pelos primeiros filósofos não eram de forma dogmática, como verdades absolutas e definitivas, mas como passíveis de serem discutidas e de permitirem propostas alternativas
Exercícios de assimilação:
O que se entende por “nascimento” da filosofia?
Pode-se dizer que existe filosofia em sentido próprio no oriente? Por quê?
Escolha uma forma de sabedoria oriental tratada acima e encontre nela alguns elementos que podem ser encontrados também no pensamento filosófico?
Por que se diz que Filosofia nasceu na Grécia? Quais foram as circunstâncias lá encontradas?
Quais são as características básicas do pensamento mitológico?
Quais as características básicas do pensamento filosófico científico? Explique cada uma delas.

III – Em busca por uma definição de Filosofia
Etimologia: é uma palavra formada por outras duas gregas que formavam uma expressão,  a saber:
                        o( filo/j th=j sofi/aj  ( ho filós tês sofías): amigo da sabedoria
É comum encontrar definições como amor à sabedoria, dado que do termo filo/j (philós) temos por derivação o termo fili/a (phylía) que é uma das expressões gregas para o termo amor espiritual, amor de amizade e comprometimento, e que difere do termo e)/roj (éros) que designa amor carnal simplesmente.
O primeiro a propor este termo “filosofia” parece ter sido Pitágoras, matemático e filósofo grego do século VI a. C. afirmando que esta forma de saber pertencia àqueles que desejam se aproximar da sabedoria.
Definição de filosofia: em termos de história da filosofia, definir o que seja filosofia torna-se-nos um legítimo problema de investigação. Como veremos, no decorrer da história do pensamento ocidental, houve distintas definições do que seja filosofia. Parece-nos aqui oportuno nos ater à sua definição clássica grega, porque assim nos mantemos na origem do pensamento filosófico e também porque todas as outras definições de filosofia modernas e contemporâneas derivam da grega ou são modos particulares daquela.
            Podemos dizer que a filosofia é uma forma de conhecimento organizado, com método próprio e objeto de estudo definido. Aristóteles dizia que a filosofia é “a ciência última de todas as coisas”. Definimos, pois, o que seja ciência: uma forma de saber organizado com método e objeto próprios.
            O método filosófico é rigoroso porque se baseia exclusivamente na razão e na reflexão desta sobre si mesma ou sobre os dados que lhe são dados. Ciência última significa que ela busca as causas finais de tudo o que existe, o porquê mais radical, como por exemplo, por que o homem é homem e se difere dos outros animais. Ela não demonstra simplesmente esta diferença entre homens e animais, pois isto a biologia pode fazê-lo, entretanto se pergunta por que é que o homem é de modo necessário e essencial diferente dos outros viventes.
            O objeto da filosofia é o todo, a universalidade. As outras ciências têm seus objetos em coisas particulares. Por exemplo, podemos dizer que a matemática estuda a coisa enquanto esta é numérica e a biologia enquanto esta coisa é vivente; de modo completamente diverso, a filosofia estuda  um fato anterior ao ser vivente, numérico ou qualquer outro atributo da coisa. Ele se dedica à coisa enquanto ela é isto de um modo geral.
            No objeto da filosofia encontra-se sua liberdade (diríamos também superioridade conceitual) em relação às demais ciências. Todas as outras ciências são determinadas por seus objetos, mas a filosofia tendo um objeto geral de estudo, é mais livre que as outras porque seu objeto  é o mais geral possível. No pensamento clássico, dizemos que este objeto geral é o ente ( do grego, o)/n, o)nto/j, particípio presente do verbo ei)/mi, ser). Assim, o ente é aquilo que é. Esta liberdade da filosofia implica-lhe também que ela tem um objetivo contemplativo, teórico, não lhe diz respeito as aplicações práticas concernentes às outras ciências. Ela se resume na pura contemplação do verdadeiro.
            A filosofia é, então, a ciência ou modo organizado do saber cujo objeto é o ente, ou seja, aquilo que é enquanto é, visando desvelar o porquê deste ente.
            Ainda sobre o objeto da filosofia podemos dizer:
objeto material (quid, o quê): todas as coisas, o ente
objeto formal (quod, pelo quê): pelas causas primeiras, mais elevadas das coisas.
“Há em todo homem um desejo natural de conhecer as causas daquilo que percebe. É, portanto, em conseqüência da admiração sentida em face dos objetos, mas cujas causas lhe permanecem escondidas, que o homem se põe a filosofar. Uma vez descoberta as causas, seu espírito se tranqüiliza. Mas a busca não cessa até que tenha chegado à primeira causa, porque só quando esta é conhecida é que o homem julga conhecer de maneira perfeita”
São Tomás de Aquino, Suma contra os gentios III, c. 25

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