Bem Vindos à Blépia

Apenas lançando olhares sobre coisas e nomes.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ainda antropologia - cultura


Parece-me que o primeiro microcosmos que o homem alpine seja a linguagem, seguida da fala. Acho muito engraçado determinados programas antigos de tv que imitavam o que uma criança disse sobre um adulto. Infelizmente não me lembro muito do que pensava atá atingir a “idade da razão”,  no qual se inicia o processo de socialiazação aquém e além família: a escola fundamental. Mas antes mesmo do homem passar pelo processo de educação formal presente em diversas culturas, sobretudo a nossa, ocidental, a criança se comunica quer com seus pais quer com seus próximos. Não entro aqui no mérito de benefício ou maleficio que isso causa, ou pode vir a causar, incosnciente,  etc., mas no simples fato que nossa primeira enteléquia ou ato é a comunicação com o ambiente em que nos encontramos.Na minha realidade, é simples imaginar um medico, sorrindo e feliz, e vendo aquele futuro alguém quem tem em si todas as possibilidades (ou melhor tinha, o ali dele já é um limite) a seu dispor emitir um ruído, um choro ou algo parecido. Ele já se comunica, inato, com aquele desconhecido micro e futuramente macracosmos que o redeia. Não se separa naquele momento a criança daquele micro-universo hospitalar em que ela se encontra pela primeira vez nos braços das mãe. Talvez, eu acredito, não sejamos frutos do meio social simplesmente, mas não podemos descartar que existe uma unicidade entre entre o Eu total e o ambiente que o cerca.Se isso é válido para uma criança, caso concordemos com o exemplo-argumento acima, por que seria diferente de um adulto?  Em outro momento gostaria de refletir sobre o inconsciente, mas agora é preciso notar que o homem e seu mundo circundante ou ambiente ou ainda meio-ambiente (die Umwelt eines Subjektes) são apenas, como já havia acima mencionado separações na coisa, ou seja, no homem, mas não coisa em si[1], ou seja, o homem e seu micro e macro-universo formariam uma única totalidade. Seria tolo mencionar aqui o ateísmo como base aqui, até porque não disse jamais que não há hierarquias entres os entes. Seria panteísmo somente se a possibilidade de algo externo a tudo isso fosse-lhe negada, o que não vem ao caso.Dois acontecimentos me marcaram de maneira singular. Um que eu estava numa turma de graduação para ministrar “cultura brasileira”. A diretora do curso me mandou sentar porque um professor de fora, que estudou nos além mares, iria entrar pela aquela porta a qualquer momento: expliquei que se tratava de minha pessoa e foi uma gargalhada. Senti-me elogiado. Mas essa foi uma  das poucas risadas, infelizmente, nesse curso. Ao terminar de mostrar-lhe o famoso trecho do filme “O enigma de Gaspar Hauser” uma menina me perguntou o que aquilo tinha a ver com cultura. Frustrado, dado que o filme trata de um jovem que fora criado sem contatos com humanos e depois abandonado num vilarejo alemão, se não meu engano. O homem pode romper com sua cultura, geralmente a tradição é um fator bloqueador e útil aqui, mas não pode ser plenamente homem sem cultura. Gaspar começa a desenvolver sua linguagem no ambiente de abandono em que se encontrava, com brinquedor berros ou gemidos. Lágrimas, às vezes. Mas logo em contato com os humanos, começa a copiar seus modos culturais de ser.



[1] Separatio in re diferens ea inter rem et rem (Sepação na coisa diferente da separação própria coisa)

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