Hoje gostaria de falar sobre o eterno como um instante. Por mais paradoxal que possa parecer, para nós humanos, experimentamos uma sensação de felicidade que marca nossa psique de modo tão forte quanto a eternidade. Penso na alegria em meio à dor de uma mãe ao dar a luz a um filho. Aquele instante possivelmente jamais será esquecido, na faculdade da memória ficará para sempre.
Outro exemplo é quando tomamos um decisão que poderia chamar de sábia, não pelo conhecimento técnico em um assunto, mas sem desprezar esse, agimos como que por intuição em que aquele ato se torna perfeito, realizado, ou como diria o Estagirita (Aristóteles) uma enteléquia. Talvez vivenciamos o eterno nessas enteléquias psíquicas. Algumas vezes também sentimos uma grande alegria que é expressa por um sorriso singelo simplesmente pelo fato de encontrar um amigo ou alguém de quem muito gostamos. O amor também pode revelar para nós esse instante de felicidade, o simples fato de vermos o objeto amado já nos teletransporta a uma realidade metafísica: o eterno.
Estou quase que satisfeito por hoje, pois parece que embora localizados no tempo e no espaço e que nossas percepções também só serem possíveis dentro desta mesma realidade espaço-temporal, nossa psique parece ter a priori a capacidade de eternizarmos um instante de felicidade que marca e dá sentido a toda nossa existência. É bem verdade que o contrário, ou seja, um momento de tristeza também poderia produzir em nós o mesmo efeito. Ou ainda um momento de ira ou decepção. Mas nenhuma dessas e outras percepções emotivas parece-me tão eficazes em produzir para nós esses instantes de silêncio de profunda felicidade que ultrapassa o tempo e o espaço. Talvez o amor e seu oposto, o ódio, seja um dos caminhos em que possamos vivenciar no plano fenomenológico o Eterno em nós, apesar de nós mesmos. A questão a ser desenvolvida no futuro é se essas percepções emotivas podem ser compartilhadas ou não (eu acredito que sim, mas falaremos disso mais à frente)
Blepando esta reflexão me dou conta da idiossincrasia que carrego... da experiência que faço quando me deparo com esta realidade tão paradoxal traga pelo autor (Eterno como instante ou um instante de eternidade). Quando medito na felicidade que tem seu reflexo continuo na eternidade ad infinitum, consigo vislumbrar comportamentos, decisões e ações que foram dispostas em momentos oportunos, com pessoas certas na hora certa... exatamente como mencionado no texto – enteléquia – algo que tornou-se tão equilibrado que deixou de ser acidente para fazer parte da mesma essência. Por outro lado, aflinge-me situações inoportunas que culminaram em erros crassos que tem seu reflexo na brevidade da eternidade...
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