Volto aqui a tentar escrever novamente sobre o eterno. Essa semana senti falta de tempo, tempo para escrever aqui, tempo para visitar amigos e tempo para mim mesmo. A falta de tempo, todavia, não me impede de chegar a instantes de eternidade e sobre isso escrevo agora (pouco mesmo, pois prefiro escrever à noite e dessa vez escrevo à aurora)
Todos vivemos situações fáticas que chamaria de banais: esperar um ônibus ou o o metrô, preparar uma refeição, executar tarefas acadêmicas ou escolares (essas, infelizmente em nosso país cada vez mais raras), etc., etc. Digo que essas situações são banais simplesmente porque não tomamos consciência delas, mas em determinado instante de nossa quotidianeidade em meio a essas situações banais algum fato, quer externo quer interno, alguém pisa no nosso pé ou nos lembramos que esquecemos de algo importante para o dia, como o guarda-chuva.
Naquele instante a nossa psique (no sentido de Gemüt, que reunificaria todas as nossas perpeções externas e a aperpeção ou percepção de si mesmo) tomamos uma attitude, quase que um ato perfeito ou enteléquia, e parece que temos o agir como coação. A aperceção ou percepção de si mesmo se faz mais forte (fortius, no sentido latino) e nos desligamos do fático banal e aquele instante nos conecta com o eterno, como se um portal entre o tempo e o eterno se formasse. Todos os mundos, tanto o melhor dos mundos possíveis, como diria o grande Leibniz, ou o pior dos mundos posssíveis pode se tornar temporal. Mas até aquele instante ele se localizava no eterno.
Agora vou desejar falar sobre esses mundos possíveis no tempo que advém do eterno, mas na próxima postagem.

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