Seguindo esse modelo de diário metafísico – que lembra um pouco as Meditações de Descartes, mas sem todavia a mesma pretensão – não consegui ainda entender o que desejo expor sobre o eterno, mas desde ontem tenho tido a intuição que ainda não é a forma de eternidade sobre a qual desejo falar, mas uma eternidade conquistada, através de objetivos concretos como deixar uma marca na História ou para, pelo menos, uma pessoa. Sem esse vínculo com um eterno na História não acredito que possa haver eterno separado de nós. Na realidade, um pouco tem sido essa minhas primeiras conclusões sobre o assunto: fazemos parte desse eterno que não se reduz a nosso próprio desejo de eternidade. Ainda que não tenhamos a mínima consciência, estamos intimamente ligados a todos os entes existentes no universo e posso afirmar isso com certo grau de segurança remetendo-me à teoria do big bang. Mas ainda preciso falar sobre um eterno virtualmente separado de nós em outro momento.
Hoje me sinto um tanto pouco metafísico para isso. Entretanto, tentemos uma conclusão: o eterno pode existir em si porque não seria contraditório, mas (ainda !?) não podemos demonstrá-lo a não ser por dedução. O progresso humano e a autoconsciência da humanidade e seu papel histórico leva a indução, que medo tenho das induções, que nós todos fazemos uma pequena parte desse eterno que não somos nós mesmos e, porém, está tão presente em nós quanto nossa essência e existência.

Professor, adorei! vc escreve muito bem :)
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