Bem Vindos à Blépia

Apenas lançando olhares sobre coisas e nomes.

sexta-feira, 30 de março de 2012

HOMO RATIONALIS



Gostaria de comenteplar ou blepar o que digninamente chamamos  de “animal rationalis”- talvez o mais comum de todos os aplicativos que se pode adjuntar à questão scheleriana exposta. O homem tem em si uma esfera que se localiza entre dois mundos: o material e o espiritual. Não acredito que isso possa ser uma dicotomia, pois se perguntarmos a qualquer um sobre sua própria cultura ele ficará desnudo ao observar que entre cultura e natureza, para o homem, não tem difenrença uma inter rem et rem[1]mas uma diferença in re[2]. Isso dá porque a capacidade racional do homem é capaz de sublimar os efeitos das pulsões básicas, sem ferir os seus instintos fundamentais, e acrescenta-lhes uma dado novo: a cultura. O homem racional pode ser denominado como homem cultural só no momento em que se admita uma tautologia viciosa. O enigma de Gasper Hauser, de Herzog, um filme que recomendo trata bem deste aspecto.
Nenhum homem é uma ilha, frase já conhecida. A questão proposta é que nessa ilha ele, e somente ele – o homem, coloca o que melhor lhe convier. O homem é racional não porque é animal pensante, mas justamente o inverso, o ser pensante do homem o torna torna ou o cria como ser racional. A racionalidade pode muitas vezes (não quero nem vou me prolongar muito aqui) pode ser identificada com a própria cultura enquanto esssa é criação do homem. Racional significa capaz de produzir cultura e ainda transmit-la às gerações de um modo que isso seja natural.


[1] Diferença entre coisas distintas.
[2] Diferença na própria coisa.

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