segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Dias de chuva.
Às vezes tenho necessidade de chorar; outras, de rir. Quase sempre não tenho necessidades. Hoje tudo pareceu estranhamente normal: trabalho, casa, msn e orkut ou facebook, sei lá. Tudo distante, e a única coisa por perto que realmente importa estava tão perto que a facticidade não encobriu: eu mesmo.
Tédio, disseram-me hoje, várias pessoas. Algumas buscam endogenia, outras heterogenias, no fim todos querem encontrar sua gênese perdida no complexo de Édipo adaptado à brasileira. Uns tem muito de pouco, outros pouco de muito - mas todos querem mais do que o suficiente e menos do que o necessário.
Em dias de chuva como hoje, momentos raros em que se volta o olhar para as gotas que sobem às estrelas baixas, o bastar-se a si é o único necessário. Ainda bem que amanhã isso passa, o autismo se declina, a necessidade de outras e outros se impõe, perde-a si mesmo e tudo volta ao excitante normal. Dias de chuva, irrigam a alma.
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