Bem Vindos à Blépia

Apenas lançando olhares sobre coisas e nomes.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O todo e a parte

Nesses dias perguntaram-me se eu poderia falar algo sobre "Gestalt". Gostei, sobretudo porque teria que ler mais sobre o assunto para poder falar. Na realidade, não consegui muita coisa além da noção do todo ser algo além da simples soma das partes, ou seja, as partes quando unidas formam um terceiro elemento, como na fórmula a + b = c. Isso é bastante interessante numa perspectiva teórica e numa prática também. Todos os meus dados noéticos ou mentais dizem respeito, de modo necessário, à minha consciência. Podemos até dizer que uma consciência sem dados mentais seria qualquer coisa, exceto uma consciência. A consciência é constituída enquanto atividade mental por seus próprios resultados. Em poucas e curtas palavras, todas as coisas são minha consciência, de um certo modo; mas também são meramente dados representantes de objetos, por outro lado. Considerando a consciência, preciso tomar noção de que tudo o que percebo, em qualquer nível de percepção, é apenas uma parte de um todo que não explica a totalidade dos acontecimentos. Ainda que eu junte todos os elementos necessários numa cadeia lógica não terei uma explicação da totalidade daquilo que analiso em minha consciência. Logo, podemos destacar que seria uma postura razoavelmente aceitável um determinado nível de "ceticismo", dado que nunca poderei ter a compreensão da totalidade presente no todo. Na teoria, seria a admissão da máxima socrática "Só sei que nada sei". Numa perspectiva prática, ou seja, que exige uma ação do sujeito, posso utilizar esses dados noéticos apenas para tentar amenizar a ausência de compreensão de uma situação ou termo e devo, pelo menos deveria (!), compreender que minha abordagem de determinada situação feita por mim jamais será a explicação elucidativa de um fato. Isso evita maus entendidos e desencontros, pois vê na opinião alheia um agregado à fundamentação da própria noção trabalhada, e ainda, esses dois elementos juntos podem representar uma alternativa para uma nova compreensão de algo. Mais interessante seria aqui pensar que a possibilidade da liberdade individual fica aqui mantida, posto que é sempre um sujeito (ser humano) que vai determinar se estará limitado à parte, na qual sua consciência está inserida, e considerar ideologicamente tal acontecimento consciente como fato em si, ou entendê-lo como parte de um sistema maior que nem sempre vou poder elucidar com clareza necessária. Em poucas palavras, posso dizer que para essa teoria minha visão de realidade não é absoluta e única, nem relativa ao que os outros dizem ou acreditam ser. Minha visão da realidade corresponde à uma das possibilidades de compreensão do todo e cabe a mim decidir - quando possível - o mais axiológico pertinente: a parte ou o todo. Pequeno glossário: Axiológico: aquilo que possui valor moral, ético ou cultural. Do grego áxios (valor). Sujeito: aquele que age num ato de conhecer ou no agir. Consciência: região ontológica ou metafísica do sujeito na qual estão organizados dados referentes às nossas atividades mentais.

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