segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Decisões e olhares - momento metafísico, metapessoal e meta-outra coisa.
Resolvi escrever de novo. Acho que só escrevo quando considero ser realmente ser importante - para mim! Não que outras pessoas precisem ler o que escrevo, não tenho essa pretensão, mas somente porque assim posso organizar melhor minhas idéias. Desse ponto começo.
Porque preciso organizar idéias? Esquemas, ordem, conceitos: tudo num contínuo fluxo temporal segundo o antes e o depois. Ora, minhas idéias não são somente idéias, mas parte de uma pessoa que chora e sorri, que olha e não vê muitas coisas, que espera a certeza de não ter. Assim, como ouso tentar organizar minhas idéias sem considerar a mim mesmo que escrevo?
Muitas vezes entendo melhor do que sinto, quero dizer, consigo tomar decisões "racionais", basta "trabalhar" as idéias e tem-se uma solução; mas meus sentimentos não concordam nem se adequam às idéias. É justo dizer que algumas vezes os sentimentos e idéias caminham peripateticamente (enfatize-se o "pateticamente" desse vocábulo!), mas nem me lembro ao certo quais sentimentos e que idéias dialogoram. Isso deve acontecer porque esse fato de similitude entre sentimentos e idéias é algo padrão e tudo o que se entra sob essa espécie torna-se impercebível. Faz bem a minha mente e meus sentimentos se adequarem muitas vezes, caso contrário, eu ficaria louco.
A dificuldade é vista justamente na falta de padrão, digo, na falta de concordância da pessoa (melhor dizendo, eu... ou nós?) e suas idéias. Não há terceiro excluído! Mas por quê?
Todos temos que tomar decisões, fazer escolhas. A pior escolha é aquela que não temos certeza se será a boa ou ruim - aliás, estamos aqui bem distante do certo ou errado. De uma escolha aparecem 3 posturas que acredito que todos as vivenciamos de algum modo:
1) Olhar para frente: nos vislumbramos com as possibilidades dos desenhos do horizonte, mas esquecemos que o infinito tem início e é aqui.
2) Olhar para trás: ficamos nostálgicos porque o início, muitas vezes mais difícil, é mais recompensante. Só esquecemos que o infinito a frente pode simplesmente deixar de existir caso não tenha alguém que o contemple. O infinito pode ser transformado em finito porque só olhamos o início.
3) Não olhar: paramos e vamos nem para trás nem para frente. Fugir. Esquecer. Isso ajuda muito quando se sabe que o início de um caminho é doloroso e não se vê perspectivas de reconforto.
Em todas essas situações, seja qual atitude tomarmos, já temos um elemento que permanece. É a angústia que assumimos por não podermos ter o controle entre o que sentimos e o que pensamos e nos colocamos nus diante de nós mesmos: incapacidade!
Assim, temos duas soluções (talvez outras...): ou nos angustiamos a cada vez mais ou vivemos a angústia como um fato. A primeira é assustadora; a segunda, terrível. Bom, se o que sentimos atrapalha o que pensamos, ou seja, perturba nossa ordem interna, porque também o pensar não pode interferir no sentir? Não afirmo aqui a racionalização do afetivo, mas o pensar o afetivo: por que simplesmente temos que controlar os sentimentos? Para nosso bem, dizem... pode ser, não quero ser imperativo aqui, mas antes é preciso antes descobrir qual é o nosso "bem", aquilo que nos permite criar sentido à nossa existência. Eu tenho agora a impressão de que não haverá muito tempo para organizar sentimentos diante da urgência de se conseguir criar/descobrir o que possa ser o "bem". Espero não ter perdido muito tempo entre idéias e sentimentos e ter deixado algo mais importante de lado.
Enfim, como vêem, não organizei minhas idéias como queria no início do texto. Mas assim é melhor porque enquanto houver descompasso entre idéias e sentimentos sinto-me ainda humano.
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Fiquei feliz e surpreso com seu comentário - creio que pensamos coisas semelhantes por caminhos diferentes, ou ainda, que talvez nossas idéias sejam as mesmas partindo de prismas diferentes.
ResponderExcluirEm todo caso, a alegria de receber seu comentário é maior do que sua racionalização.
Bjs!