Não vou escrever muita coisa, porque escrever sobre a amizade sempre pode ser algo artificial. Muito foi dito, mas não tudo o que é vivido.Particularmente gosto muito de uma palavra em alemão "Mitfreund" que quer dizer co-alegria, mas se colocarmos um sufixo -schaft (Mitfreundenschaft) poderíamos traduzir por co-amizade. Por quê? Ora, em alemão as palavras amigo e alegria estão profundamente ligadas. Assim, conduzo essas poucas linhas.
Um amigo/a pode ser aquele com quem simplesmente nos alegramos juntos. A alegria não precisa ter um motivo especial quando se está com quem gostamos. Simplesmente ela é fruto natural da amizade. E dessa alegria acontecem coisas interessantes: eles se entendem - mesmo quando não há palavras. Olhares, gostos, gestos - todas as coisas dizem muito a um e a outro e somente quem participa desse "jogo de linguagem" pode enteder o que se sucede. Acontece um mistério, algo que sempre revela algo novo, pois existem duas pessoas e um único sentimento. Um milagre da convivência humana!
Talvez eu esteja aqui "viajando", como muitos dizem, mas somente quem tem amigos - não meramente colegas - pode entender o que digo. Talvez nem enteder seja possível, mas vivenciar.A alegria brota da felicidade alheia e como se trata de um moviemento recíproco, acontece um transbordar de risos - ou mesmo de lágrimas. Tanto rir como chorar não fazem muito sentido existencial caso nos encontremos sozinhos - o riso tem um ar vazio, pois não encontra lugar além do próprio rosto; as lágrimas logo congelam a face porque não dispõe de quem as enxugüe.
Aristóteles fala do amor de amizade - nesse tipo de ars amoris chamada pelo Estagirita de Filía o interesse ou objeto de amor não se encontra no próprio sujeito, mas no outro. É livre porque não exige uma satisfação própria, mas a do outro que brota da espontaneidade do próprio ato de amar. Lamento que em nossa cultura falar que se ama um amigo/a é tido como estranho.
Enfim, vou postar uma música do Oasis (num momento mais pop) cuja letra pode espressar alguns sentimentos que temos em relação aos nossos amigos.
Mitchell, linda postagem!
ResponderExcluirConcordo com você que por mais que se escreva ou tente, de alguma maneira, manifestar a relação "partilha" existente em uma amizade sincera e verdadeira, nunca consegue se chegar ao fundo de seu "abismo"(e este entenda-se aqui como algo imensurável e infinito, que traz da fantasia um mistério sedutor que só conhece quem nele adentra, e a ele se entrega em um ato de loucura).
Abismo...é isso!
Desprezo o lado sombrio deste verbete, e me utilizo da licença poética para expressar com ele a infinidade de surpresas e mistérios, encontros e sensações, que uma AMIZADE, regida pelo AMOR, é capaz de produzir!