Bem Vindos à Blépia

Apenas lançando olhares sobre coisas e nomes.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Morre Ingmar Bergman

"Ernst Ingmar Bergman (Uppsala, 14 de Julho de 1918Fårö, 30 de Julho de 2007) foi um dramaturgo e cineasta sueco. Estudou na Universidade de Estocolmo, onde se interessou por teatro, e mais tarde, por cinema. Iniciou a sua carreira em 1941, escrevendo a peça de teatro "Morte de Kasper" e, em 1944, escreveu o primeiro argumento para o filme "Hets". Realizou o primeiro filme em 1945, "Kris". Os seus filmes lidam geralmente com questões existenciais como a mortalidade, solidão e fé. As suas influências literárias vêm do teatro: Henrik Ibsen e August Strindberg. Teve um romance com Liv Ullmann, com quem teve uma filha. Dirigiu a atriz em dez filmes, o primeiro dos quais foi Persona. Talvez o melhor comentário sobre Ingmar Bergman tenha partido de Jean-Luc Godard: "Cinema não é um trabalho de equipe. O diretor está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é se fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas"."
(fonte: WIKIPEDIA, disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ingmar_Bergman, acesso em 30/07/2007)
Filmografia 2003 - Saraband (cinema digital) 2002 - Anna (TV) 2000 - Bildmakarna (TV) 1997 - Larmar och gör sig till (TV) 1995 - Sista skriket (TV) 1993 - Backanterna (TV) 1992 - Markisinnan de Sade (TV) 1986 - Documentário sobre Fanny and Alexander 1984 - Efter repetitionen (Depois do ensaio) 1983 - Karins ansikte 1982 - Fanny och Alexander (Fanny e Alexander) 1980 - Aus dem Leben der Marionetten (Da vida das marionetes) 1979 - Farödokument 1979 1978 - Höstsonaten (Sonata de outono) 1977 - Das Schlangenei (O ovo da serpente) 1976 - Ansikte mot ansikte (Face a face) 1974 - Trollflöjten (A flauta mágica ) 1973 - Scener ur ett Äktenskap (Cenas de um casamento) 1972 - Viskningar och rop (Gritos e sussurros) 1971 - Beroringen (A hora do amor) 1969 - Farödokument 1969 - Ritten (O rito) 1969 - En passion (A paixão de Ana) 1968 - Skammen (Vergonha) 1968 - Vargtimmen (A hora do lobo ) 1967 - Stimulantia 1966 - Persona (Quando duas mulheres pecam) 1964 - For att inte tala om alla dessa kvinnor (Para não falar de todas essas mulheres) 1963 - Tystnaden (O silêncio) 1962 - Nattvardsgästerna (Luz de inverno) 1961 - Sason I em spegel (Através de um espelho) 1960 - Djavulens oga (O olho do diabo) 1959 - Jungfrukällan (A fonte da donzela) 1958 - Ansiktet (O rosto) 1957 - Nära livet (No limiar da vida) 1957 - Smultronstallet (Morangos silvestres) 1956 - Det sjunde inseglet (O sétimo selo) 1955 - Sommarnattens leende (Sorrisos de uma noite de amor) 1955 - Kvinnodröm (Sonhos de mulheres) 1954 - En lektion I kärlek (Uma lição de amor) 1953 - Gycklarnas afton (Noites de circo) 1952 - Sommaren med Monika (Monika e o desejo) 1952 - Kvinnors väntan (Quando as mulheres esperam) 1951 - Sommarlek (Juventude, divino tesouro) 1950 - Sant händer inte här (Isto não aconteceria aqui) 1949 - Till glädje (Rumo à Felicidade) 1949 - Torst (Sede de paixões) 1949 - Fängelse (Prisão) 1948 - Hamnstad (Porto) 1948 - Musik I moker (Música na noite) 1947 - Skepp till India land (Um barco para a Índia) 1946 - Det regnar pa var kärlek (Chove em nosso amor) 1945 - Kris (Crise)
SOBRE CINEMA E IMORTALIDADE
Um grande tema na produção de Bergman foi a dor e o luto. O próprio diretor disse uma vez que não conseguia ver seus próprios filmes, pois chorava e ficava deprimido - se ele se encontrava nesse estado de sentimento, o que dizer daqueles (ou melhor, de nós) que vemos os seus filmes? Outro ponto interessante em Bergmam é sua consideração do papel do diretor: ele se encontraria só diante da cena, é obra individual.
Ao olharmos para o legado de Bergman ao cinema penso que o cineasta sueco conseguiu na sua individualidade tocar o universal através da imagem em movimento. A dor e o luto que deixam tanto Bergman como os outros "deprimidos" tocam um sentimento comum a todos os homens: a perda e sua não aceitação. Bergman fez do cinema uma ação particular, expressando um complexo de sentimentos individuais. Entretanto, esses sentimentos próprios da sensibilidade desse artista tocam a todos aqueles que se envolvem em sua obra. Talvez sem saber, ele conseguiu se colocar no mundo da sétima arte como um exemplar do gênio artístico: ao expressar o individual, tornou esse ato de expressão um universal estético que alcança a sensiblidade comum por um elemento também comum: a dor. Não é possível não mover o sentimento ao assistir algum dos filmes de Bergman, ou pelo menos haverá um filme que dirá respeito a pelo menos alguém.
A idéia de imortalidade grega poderia ser aqui atribuída a Bergman, pois ele não é mais "Presente" - embora suas obras o representem como sempre no tempo (uma espécie de tempo aoristo, próprio da língua helênica, o tempo da narração no qual as ações humanas e dos heróis se perpetuam in secula). Seus filmes tornam sua vida uma narração de imagens através de cenas que ficam "eternas" naqueles que assistem seus filmes. Além disso, Woody Allend disse certa vez que Bergman seria o maior marco do cinema após a câmara - verdade ou não, ganha Bergman um grande elogio nessa sentença.
Ao expressar sentimentos em imagens, Bergman capta um dos elementos essenciaisda vida emotiva: ela é um devir e não pode ser categorizada em critérios somente racionais, ou citando Pascal, "o coração tem razões que a própria razão desconhece". Bergman não produzirá mais filmes (até mesmo estava um pouco afastado do cinema), mas seus filmes continuam dando beleza e sensibilidade àqueles que os assitem. Assim, Bergman torna-se um imortal por deixar obras caras à nossa vida e por eternizar na arte cinematográfica a trama de emoções, sobretudo aquelas que nos assustam tanto: o medo e a dor.

2 comentários:

  1. todos seus filmes me transmitem uma idéia de trauma. Uma busca pelo que há de mais profundo em nós que acaba por abrir aquelas cicatrizes que pensávamos que já estivessem fechadas.
    Uma pena isso acontecer tão raramente no Cinema atual.

    --

    E mais uma vez, a Vida prova que o que fica mesmo são as idéias transmitidas, as expressões.
    O resto vira cinzas.

    um abraço,
    daniel.

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  2. todos seus filmes me transmitem uma idéia de trauma. Uma busca pelo que há de mais profundo em nós que acaba por abrir aquelas cicatrizes que pensávamos que já estivessem fechadas.
    Uma pena isso acontecer tão raramente no Cinema atual.

    --

    E mais uma vez, a Vida prova que o que fica mesmo são as idéias transmitidas, as expressões.
    O resto vira cinzas.

    um abraço,
    daniel.

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