Bem Vindos à Blépia

Apenas lançando olhares sobre coisas e nomes.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Michelangelo Antonioni

Michalangelo Antonioni (Ferrara, 29 de setembro de 1912Roma, 30 de Julho de 2007) foi um cineasta italiano cujos filmes são considerados como alguns dos mais influentes no Neo-realismo italiano e na estética do cinema em geral. Graduou-se em economia na Universidade de Bologna. Chegando a Roma em 1940 estudou no Centro Sperimentale di Cinematografia na Cinecittà, onde conheceu alguns dos artistas com quem acabou cooperando nos anos futuros; entre eles Roberto Rossellini. Carreira O primeiro grande sucesso de Antonioni foi L'avventura (1960). que foi seguido por La notte (1961) e L'eclisse (1962), que compreendem uma trilogia sobre o tema da alienação. Seu primeiro filme colorido Il deserto rosso (1964), também explora temas modernistas da alienação, e junto com os três filmes anteriores, forma uma tetralogia. A atriz Monica Vitti apareceu nos quatro filmes da tetralogia, atuando em papéis de mulheres desconexas que lutam para se ajustar ao isolamento da modernidade. O seu primeiro filme em inglês, Blowup (1966), foi também um grande sucesso. Embora ele tenha enfrentado o difícil tema da impossibilidade da percepção objetiva das coisas, o filme teve boa recepção popular, parcialmente devido a sua sexualidade explícita pelos padrões da época, e também por causa da atriz Vanessa Redgrave. Zabriskie Point (1970), seu primeiro filme rodado nos Estados Unidos da América, teve menos sucesso, mesmo com a inclusão de uma trilha sonora composta de artistas populares como a banda Pink Floyd (que compôs músicas especialmente para o filme), Grateful Dead, e os Rolling Stones. The Passenger (1975), que foi estrelado por Jack Nicholson, também não obteve sucesso. Embora tenha continuado dirigindo, Antonioni jamais recuperou o grande apelo do seu trabalho anterior. Em 1995 ele foi premiado com um Oscar pelo conjunto da sua obra Referências Ele se descrevia como um intelectual marxista, mas alguns autores colocam algumas dúvidas em relação a sua real adesão as idéias do Marxismo. Em contraste com os seus contemporâneos, incluindo os neo-realistas e também Federico Fellini, Ermanno Olmi e Pier Paolo Pasolini, cujas histórias geralmente tratavam da vida da classe trabalhadora e a rejeição e incompreensão da sociedade, o filme mais notável do Antonioni mostrava a elite e a burguesia urbana. Porém, ao contrário do que alguns críticos dizem, os seus filmes descrevem os personagens ricos como pessoas vazias e sem alma, ao invés de romantizar esses personagens. La notte descreve a desintegração de um casal rico que não consegue conviver em harmonia; L'avventura descreve a história de uma mulher que se perde durante uma luxuosa viagem de iate, e do seu noivo e sua melhor amiga que mantém uma relação sexual enquanto procuravam por ela, mas são incapazes de se amar mutuamente; Blowup descreve o mundo superficial de um fotógrafo de moda dos anos 60, que no final do filme se mostra indiferente quando chamado a denunciar um possível crime. De um modo similar, Zabriskie Point é interpretado como a uma crítica do capitalismo americano, e, por outro lado condescendente com os hippies, descrevendo de forma simpática o seu desejo de fuga. Os filmes de Antonioni também mostram a beleza das paisagens, como no deserto da Califórnia em Zabriskie Point, ou as ilhas rochosas em L'avventura, mas o objetivo não é apenas nos impressionar com a qualidade visual do seu trabalho, mas também descrever a arrogância das "almas perdidas" que em vão tentam impor a sua finitude sobre uma natureza inflexível e sublime. Novamente, apesar dos críticos, os filmes de Antonioni dissecam os ricos de forma cruel com uma reprovação de fundo marxista, mesmo enquanto a sua câmera mostra uma certa fascinação pelas belas coisas da classe rica. Estilo O diretor Ingmar Bergman uma vez disse que admirava alguns dos filmes do Antonioni por serem desinteressados e algumas vezes visionários. Os seus filmes tendem a ter muito poucos planos e diálogos, e muito do tempo é gasto em longas e lentas sequências, como uma sequência contínua de dez minutos em The Passenger, ou muitas cenas em La notte que mostram uma mulher simplesmente vagando silenciosamente pela cidade a observar outras pessoas. Apesar dos seus filmes serem repletos de beleza visual, e de terem uma captação perfeita da alienação dos personagens, o estilo com pouco movimento, e de ritmo lento, entedia certas pessoas. Filmografia Gente del Po (A gente do Pó, 1943) Nettezza urbana (Limpeza urbana, 1948) Oltre L'oblio (1948) Roma-Montevideo (1948) L'Amorosa menzogna (1949) Sette cani e un vestito (1949) Bomarzo (1949) Ragazze in bianco (1949) Superstizione (1949) La villa dei mostri (The House of Monsters, 1950) Cronaca di un amore (Crimes da alma, 1950) La Funivia del Faloria (1950) I vinti (The Vanquished, 1952) La signora senza camelie (Camille Without Camellias, 1953) Tentato Suicido (Tentativa de Suícidio) - episódio de Amore in Citta (O amor que se paga, 1953) Le amiche (As amigas, 1955) Il grido (O grito, 1957) L'avventura (A aventura, 1960) La notte (A noite, 1961) L'eclisse (O eclipse, 1962) Il deserto rosso (The Red Desert, 1964) Prefazione - episode in I tre volti (The Three Faces of a Woman, 1965) Blowup (Depois daquele beijo, 1966) Zabriskie Point (1970) Chung Kuo (1972) Professione: reporter (The Passenger, 1975) Il Mistero di Oberwald (The Mystery of Oberwald, 1980) Identificazione di una donna (Identification of a Woman, 1982) Volcanoes and Carnival (1992) Al di là delle nuvole,, distribuído nos EUA como Beyond the Clouds, em francês (produção) Par Dela Les Nuages, 1995) (Além das Nuvens) (co-dirigido por Wim Wenders) Eros (2004) -- episódio de Il filo pericoloso delle cose (The Dangerous Thread of Things) Lo sguardo di Michelangelo (2004) (Fonte: WIKIPEDIA, disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Michelangelo_Antonioni, acesso em 31/07/2007) MORREU ONTEM À NOITE ANTONIONI - o cinema fica menos real Ontem à noite morreu o diretor italiano Antonioni, mas a família só divulgou o fato hoje pela manhã. Morte próxima à perda no cinema vista ontem com o falecimento de Bergman. Distantes um tanto pelo estilo, próximos pela arte, agora unidos no eterno devir de seus filmes. O Real e o neo-real Antonioni tem um estilo de filmes dinâmicos em que ele não somente deseja representar o real, mas sobretudo criar um real possível, ou seja, que não é contraditório do real encontrado nas circunstâncias ordinárias da vida. Seus filmes retratam épocas em movimento - aqui me lembro de Blow up - em que as tendências e as atitudes das personagens dizem além do que elas realmente fazem, porque o mais interessante parece ser a conseqüência dos atos. O problema de uma conseqüência, que é algo futuro, pode ser trabalhado de modo frio, racionalista e lógico - isso é considerado por muitos como um realismo exagerado ou positivo. Mas Antonioni entende o real e a logicidade das ações humanas como possibilidade. O real nem sempre é claro, mas sempre possível. Construí-lo se faz necessário. O problema da montagem, que observamos em Blow up, é um problema hermenêutico - mas as regras são claras (à la Descartes). Essas regras claras são exigências da "matéria" (um certo marxismo italianado de Antonioni), pois não se pode fugir de um futuro, de uma construção acentada sobre o eterno presente em que se vive, mas que se tornará futuro. Bergman nos deixou o existencial da angústia com alta sensibilidade; Antonioni, o da projeção, o do futuro constructo com alegria incerta e firme (sic!). Em caminhos diversos, eles representam muito bem o mundo ocidental pós II Guerra: o da angústia pelo incerto (Bergman) e o desejo de construir ou realizar o presente num tempo vindouro (Antonioni). Antes de terminar, uma pequena homenagem a um amigo amante do cinema - que me socorre nas minhas inúmeras dúvidas, já que eu só somente lanço olhares e impressões. Ele me disse que Antonioni foi o diretor que mais o influenciou - isto pode representar sonhos das grandes almas, pois querer poder trabalhar o tempo, o futuro, torná-lo possivelmente real é somente possível para aqueles que se põe diante do mundo como admiradores e construtures. Acredito que ele ainda será conhecido, espero que reconhecido. O luto é dor bergmaniana que leva à ação antonioniana - tudo vai depender de como vamos (eles vão, quero dizer, quem faz cinema) construir o cinema a partir de agora.

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