Bem Vindos à Blépia

Apenas lançando olhares sobre coisas e nomes.

domingo, 19 de abril de 2015

Vídeos para ajudar o trabalho sobre Kanthttps://www.youtube.com/watch?v=ePVwTpaBaFY

quarta-feira, 18 de março de 2015

Noção de Modernidade - 2o. ano do Ensino Médio - FAETEC/ETER - 1a. etapa/2015

FAETEC – ETER
FILOSOFIA – 2O ANO / EM
Prof. Dr. Michell de Mello

Resumo esquemático

1. Noção de modernidade                  

            Estamos nos tempos modernos!!! De fato, mas faz-se mais de 400 anos....
            O termo "modernidade" é, talvez, uma dos mais caros ao homem contemporâneo. Nós nos consideramos modernos porque usamos esta ou aquela roupa, porque vamos a este lugar e não àquele outro, etc. Entretanto, nós não percebemos que estamos totalmente ligados a uma tradição, que por ser moderna, não tem hoje nada de movimento de vanguarda ou libertário para nosso tempo, ao contrário justamente, pois modernidade (do latim arcaico e clássico, modus: medida de superfície e, assim, maneira de se encaminhar, conduta, comportamento) implica  rigidez a um modo preestabelecido. Implica uniformidade e sistematização. É neste sentido rígido do modus  que chamamos o período da Filosofia entre os séculos XV e XIX-XX  de período moderno.
            Em relação a esta fase da Filosofia, podemos considerar  duas noções fundamentais que dão identidade a este período: a idéia de progresso, que faz com que o novo seja considerado melhor que o mais antigo e a valorização do indivíduo ou da subjetividade como lugar privilegiado da certeza e da verdade.

2. Fatores históricos que influenciaram a noção de modernidade

2.1   Fatores remotos (aqueles que se encontram na Baixa Idade Média ou, em termos de Filosofia, na Escolástica, tanto no seu auge como no seu fim).

·       Redescoberta das obras de Aristóteles pelos europeus: durante a primeira fase da Idade Média, também chamada de Alta Idade Média ou Patrística (na Filosofia) durante a qual a principal influência filosófica foi Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho foi formado o imaginário da Medievo. Este desenvolveu seu pensamento através de uma matriz platônica cuja principal característica é uma dualidade ou divisão radical entre ideia e matéria (mundo material e mundo sensível). Assim, formou-se uma mentalidade geral de que a ideia, o conceito, o pensamento é mais real, logo mais importante do que a matéria. Por sua vez, os árabes, após a formação da religião islâmica no séc. VII por Maomé formaram um cultura dentro da região do antigo império helenístico de Alexandre Magno. Sobretudo a partir do califado de Bagdá houve grandes estudos sobre as áreas de conhecimento da cultura grega, não somente de Filosofia, mas também Astronomia, Medicina, Matemática, Física, etc. Esse mesmo povo ou cultura conquistou o norte da África, convertendo ao Islã os povos berberes (palavra que na sua etimologia árabe significa ocidental). A partir daí alcançaram a Península Ibérica estabelecendo nela uma cultura muito mais desenvolvida do que aquela dos europeus latinos cristãos tinham. Córdoba pode ser considerada a cidade melhor desenvolvida do início da Escolástica. A grande importância dos árabes, mulçumanos, para nós neste momento, foi que eles traduziram do grego para o siríaco, depois para o latim, diversas obras de Filosofia, sobretudo Aristóteles, que era praticamente desconhecido na Europa cristã da época (exceto poucos fragmentos). Ora, como sabemos, a filosofia de Aristóteles compreende a realidade ou aquilo que é, o ente, como a unidade de dois princípios: matéria e forma – ao contrário do pensamento platônico que divide a realidade entre estes dois princípios, valorizando mais a forma ou ideia em detrimento da matéria. Com o retorno das obras de Aristóteles ao ocidente cristão começa-se, aos poucos, um revalorização da matéria, e assim, dos estudos ligados ao mundo material, como a medicina, a física, etc. Este foi um primeiro impulso para o pensamento moderno, uma vez que o Aristóteles “científico”, trazido pelos árabes, foi uma das válvulas da chamada nova ciência ou ciência moderna.

·       Surgimento das universidades na Europa: as universidade europeias surgem como um desenvolvimento das escolas monásticas medievais. Todavia, constituem um crescimento não somente no tamanho físico ou de abrangência das escolas monásticas, mas qualitativo, pois vão impulsionar o pensamento europeu ao questionamento das verdades transmitidas pela tradição de origem platônica e agostiniana. Nota-se aqui a relação intrínseca entre o surgimento das universidade e a divulgação do pensamento de Aristóteles trazido à Europa pelos árabes. Mesmo havendo proibições de leitura e ensino em alguns períodos da obra de Aristóteles, ou ainda, muitas críticas por parecer que o Estagirita (Aristóteles) não se enquadra na filosofia cristã agostiniana, o debate proporcionou maior interesse por essa novidade antiga, e como não poderia deixar de ser, o interesse pelas questões materiais, muito além da teologia e da filosofia especulativa. Vejamos que além dos primeiros cursos de Filosofia e Teologia, surgiram duas outras formações acadêmicas: a Medicina e o Direito nas universidades da Europa. Além disto, devido às influências da cultura e pensamento árabes, houve também um crescimento constante do interesse pela matemática e pela observação dos fenômenos naturais – nada está no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos, diz Aristóteles -  que culminará na Revolução Científica do início do período moderno.

·       Nominalismo inglês é classificado pelos historiadores da Filosofia como já um período de decadência da Escolástica ou da Baixa Idade Média. Este foi desenvolvido principalmente na região da Grã-Bretanha e como o seu título reza prega que todos os conceitos (que seriam realidades máximas opostas à matéria, ou pelo menos, precedentes a ela, tanto na tradição agostiniana-platônica quanto na aristotélica-tomista que prega a precedência da forma sobre a matéria em sentido ontológico ou metafísico) são apenas nomes, flactus vocis, sopros de voz. Esse pensamento representa uma mudança radical na mentalidade europeia uma que vez que o conceito é apenas um som, uma voz, e não necessariamente uma realidade última do mundo das ideias ou da mente divina, nem é aquilo que determina a realidade última. A realidade primeira é a coisa que existe – e o que existe nos é dado ou conhecido através dos sentidos. Partimos aqui de um princípio clássico da filosofia platônica quanto à teoria do conhecimento (Fédon):  é o semelhante que conhece o semelhante. Este princípio foi amplamente usado para justificar a imaterialidade da alma intelectiva humana, uma vez que conhece conceitos que não são materiais, a alma também é imaterial. Os nominalistas não negaram em absoluto isto, mas disseram que o homem também é matéria e ao aplicarmos o mesmo conceito, podemos dizer que o homem conhece a matéria uma que vez que também é formado por um componente material. Vale aqui relembrar a máxima aristotélica, novamente, a respeito da teoria do conhecimento: Nada se encontra no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos. A questão para os nominalistas não é negar o conhecimento ipse litteris da realidade imaterial, que é para eles uma voz, mas desvalorizar o conhecimento da matéria, do singular, que parece ter sido a ênfase na tradição escolástica, mesmo nas escolas tomistas. Assim conhecemos a famosa “Navalha de Okham”, sendo este um grande pensador nominalista: Não devemos multiplicar os entes (coisas existentes) sem necessidade. Isto significa que não é necessário a criação de novos conceitos a partir de conceitos, como por exemplo, a vermelhidão do vermelho e ainda o vermelho presente na vermelhidão do vermelho; todavia trata-se muito mais de ver e aplicar-se sobre um ente/coisa concreto que é vermelho, por exemplo, um pedaço de pano. De nada adianta para o conhecimento do pano vermelho a discussão sobre o grau de sua vermelhidão, se o vermelho é real ou falso, mas entender que  este tecido existe e me parece vermelho, quais são suas características físicas como tamanho, durabilidade, etc., devendo assim ser estudado o tecido que existe, o ente real e material, e não ficar criando ou inventando palavras ou termos que em nada contribuem para a melhor compreensão da coisa tecido.



2.2 Fatores próximos (presentes na formação do período moderno em si)

·       O humanismo renascentista: é um período com identidade filosófica própria porque não se confunde  nem com o período clássico e medieval da Filosofia e nem com o pensamento moderno em si, mas teve influência determinante no desenvolvimento da filosofia moderna. "O homem é a medida de todas as coisas",  foi o lema assumido de Protágoras pelos humanistas, rompendo diretamente com o período medieval e com sua cosmovisão quase sempre teocêntrica. Como motivação, buscava-se retornar ao métodos greco-romanos pagãos, buscando neles e no seu desenvolver estético  um novo ideal  de homem, com uma forte valorização do eu  de cada indivíduo. Nas artes, valorizava-se  o corpo humano como dotado de beleza própria que se expressa na sua proporção  e em suas linhas harmoniosas, pois o homem é um deus não em sentido absoluto, porque é um homem, mas é um deus humano. (Nicolau de Cusa) Foi durante o Humanismo que foi cunhado o termo Idade Média, mostrando um desejo de retornar ao período clássico do pensamento, considerando assim um período de mil anos ou mais como um meio entre o clássico greco-latino e o moderno. O Renascimento é marcado pelo antropomorfismo das artes (formas humanas nas obras de arte) ao contrário do teomorfismo (formas segradas na artes). Ao observarmos um pintura de um rei ou nobre medieval ele nos parece um santo, não humano, acima de nossa condição humana; já ao observarmos uma obra de arte renascentista podemos vislumbrar figuras religiosas como Maria, os santos e Jesus com traços claramente humanos, ou seja, antropomórficos. Fica caracterizado nesse período também o clássico didático da passagem do teocentrismo ou antropocentrismo, ou seja, Deus deixa de ser o centro das atenções para ser o homem este centro. Existem autores que discutem gravemente esta interpretação, mas para fim didáticos resolvemos mantê-la aqui para assinalar a mudança de mentalidade na passagem do Medievo para a Modernidade via período do Renascimento.

·       Reforma protestante: a reforma religiosa e sócio-política iniciada por Lutero é paradoxal, pois este ao negar a liberdade do homem frente à vontade absoluta de Deus , ou seja, o servo-arbítrio ("agir contra a própria consciência não é seguro para nós, nem depende de nós." Lutero) é um retrocesso quanto às ideias renascentistas; todavia, ao afirmar que só a fé individual  pode salvar, impulsionou as crença da subjetividade, típica do humanismo. Esta fé individual é manifestada na tese da livre interpretação da bíblia, na qual cada indivíduo pode escutar a voz de Deus presente nas  escrituras. Outra tese de Lutero que corrobora para o surgimento da Modernidade é o sacerdócio comum a todos os fiéis, isto significa que cada indivíduo pode servir como ponte entre o humano e o divino, não restringindo esta relação somente aos clérigos ordenados pela Igreja. Podemos ainda acrescentar a importância da língua nacional no serviço religioso no lugar do latim que afirma o caráter subjetivo (e nacionalista) da Reforma protestante. É nesse momento que se começa a escrever ensaios científicos, de forma cada mais crescente, na língua de casa país e a se utilizar cada vez menos o latim. O latim continua a ser uma língua científica importante, uma língua franca, mas escrever ou traduzir estas ideias para o vernáculo ou idioma nacional não é mais algo “pecaminoso” ou mal-visto.

·       A revolução científica: inicia-se com a tese de Copérnico que defendia matematicamente o heliocentrismo. Contudo, tal tese ia contra ao geocentrismo que havia já há 2000 anos  e refletia a própria cosmovisão medieval e antiga do mundo. A ciência moderna surge quando se torna mais importante salvar os fenômenos  e quando a observação, a experimentação  e a verificação de hipóteses  tornam-se critérios decisivos para o conhecimento, suplantando, assim, o método metafísico. A Revolução Científica quebra o paradigma de que o conhecimento tradicional está sempre correto e é inquestionável e ainda acrescenta um elemento típico da modernidade: o progresso, ou seja, o novo é melhor do que antigo.

            Novidades decorrentes da Revolução Científica:
·       quanto à cosmologia: validade do modelo heliocêntrico;
·       quanto à ciência: observação e o método experimental;
·       mecanicismo: o universo e tudo que há nele funciona como uma máquina
"O universo é um livro escrito em linguagem geométrica; para compreendê-la é necessário aprender a ler esta linguagem." Galileu Galilei

·       Redescoberta do ceticismo antigo: com o Renascimento foram redescobertas e traduzidas para as línguas nacionais várias obras clássicas do pensamento grego e helenístico e começa a existir um interesse crescente por este aspecto. Um destes aspectos importantes aqui é a redescoberta do ceticismo antigo, sobretudo o de Pirro, que propõe suspender o juízo dada a impossibilidade de se ter certeza, tanto afirmativa como negativa, sobre algo. A dúvida passa a ser considerada o primeiro degrau para grau qualquer investigação científica e filosófica, uma vez que as próprias certezas da tradição (sobretudo medieval) transmitidas são questionadas. O começo do conhecimento, podemos dizer, não está na certeza que temos sobre determinada realidade, mas a dúvida sobre ela que pode nos conduzir a determinado conhecimento que afirme ou contradiga o antigo, mas que ainda não se sabe. Somente com a dúvida pode-se alcançar o progresso  e o novo, uma vez que a certeza significa estagnar naquilo que se acredita já saber.

Referência Bibliográfica básica:
KUNZMANN, Peter & All. Atlas der Philosophie. München: Deutscher Taschenbuch, 2003
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2005

ENDERS, Armelle & All. História em curso: da antiguidade à globalização. Rio de Janeiro: Editora do Brasil/ FGV, 2008.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Discussões sobre política

Vejamos o nível em que está a discussão política. Não importa Direita ou Esquerda, mas sim  uma educação política e respeito mútuo; aqui não há diálogo, apenas solilóquios. Tudo parece ter se convertido em catequese dogmática na qual não se fala por  conceitos,  não se escuta o outro e, acima de tudo, não se pensa no bem-comum. Emergem em mim dois sentimentos: medo de posturas unilaterais e coragem para continuar lecionando sem explicitar visão subjetiva, mas apresentando argumentos contrários. Nas ruas, nos palanques, nas redes sociais  vemos uma antinomia, não da razão como assinalara Kant na CRP, mas de uma politicagem camuflada de política. O fanatismo e ultrarradicalismo outrora aqui reservado às instituições religiosas (não em absoluto) - mas que ainda algumas permanecem nesse viés - transmuta-se numa piedade piegas cuja liderança tem um longo discurso monossilábico reproduzido por seus seguidores na  certeza fideísta da parusia soteriológica da humanidade "de poucos". Tenho orgulho de ter amigos que defendem posturas diversas, sem ofender o outro, que pensam e têm a coragem de até remodelar visões de mundo; nesses vídeos, porém, vemos que quem ousa pensar continua sendo minoria. Para ficar claro tamanha disparidade locucionária, na minha mera opinião num mundo no qual a opinião é um dogma universal, vejo tal postura no governo atual e na oposição - ambos com rebanhos de ovelhas a tilintar a mesmidade do nada. Tive a honra de ser aluno de Otto Apel, já bastante idoso em curso em bloco. Soa forte ainda em meus ouvidos a enfática afirmação dele em sala de aula aos doutorandos e convidados: sem uma firme educação política cuja fala se baseie no respeito, a tecnocracia torna-se selvageria. Entre celulares e etc., ei-la: a selvageria. Realmente estou velho. Interessante ver os dois vídeos, para aqueles que se interessam. #movimentocroissant

FB: Michell de Mello

https://www.youtube.com/watch?v=2iu5GXm25c0https://www.youtube.com/watch?v=2iu5GXm25c0

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Xenofobia como eufemismo e decadência do processo democrático.




Eufemismo ao falar do Nordeste - por que usar termos politicamente corretos que mascaram condutas do "culto homem" das regiões mais ao sul do país?

Para quem não se ateve à semântica e visa inescrupulosamente à pragmática, cuidado com sua sintaxe:

Xenofobia, do grego: "xénos": estrangeiro, aquele que não fala sua língua e não se auto-governa, por extensão, aqueles que estão longe ou bárbaros. Acrescente-se phobós, medo.

Preconceito contra nordestinos não pode ser considerado xenofobia, stricto senso, dado que eles são brasileiros e é brasileiro quem nasce no território nacional (jus terrae), salve outros casos. Todos falamos português, logo também não caberia o termo xenofobia aqui. O voto é secreto e um direito-dever; logo cada um e, por consequência, a maioria vota em quem lhe diz respeito. Os motivos são diversos e numa democracia representativa posso discordar do outro, a maioria vence segundo critérios pré-determinados e assim, os nordestinos se auto-governam porque foram às urnas, tanto quanto sulistas e sudestistas (?) se auto-governam representativamente quando votam. Defender política e incitar descriminação está muito distante de um ideal democrático.  Então, não pode haver xenofobia aqui.O termo é um eufemismo que revela no seu vazio em certos significantes algo até mais doloroso e que todo brasileiro entende imediatamente: discriminação.  Todavia  trata-se tão somente de mais uma forma de discriminação e intolerância ao diverso que não fere à coletividade e sim  prima pelos direitos individuais. Pode-se mesmo chamar, por analogia, de racismo ou discriminação por condição social.Se a discriminação for por orientação política, aplica-se o mesmo. Se a discriminação for porque alguns se consideram melhores do que outros a ponto de impor sua vontade à margem de um contrato pré-estabelecido (aqui no caso, votos válidos, TSE, etc.), tirando dos outros os direitos de orientações políticas ou outras quaisquer, ousaria gritar facismo nacionalista. Ainda assim, aplica-se analogia da Lei.  O mesmo vale para, ainda usando o princípio de analogia, os direitos das minorias, sejam elas quais forem.

Observemos ainda, no que se refere ao pleito passado, não se trata estatisticamente de minorias, mas um maioria em números. Ainda que a diferença seja mínima e nos coloque a pensar, é simples. Outros Estados ou instituições tem outros parâmetros, como os 2/3 dos presentes. Acrescento ainda que quem não votou, anulou ou algo semelhante, cobriu-se de seu direito democrático. Isso não é ilegal. Não é compreensível defender a democracia sem defender direitos individuais, nesse caso, dos eleitores do Norte e Nordeste, de votarem em quem quiserem. Se houve "currais" eleitorais e bolsa-voto deve ser vigiado e tendo provas, denunciado. Só gritar e ofender não resolverá. Podemos acreditar que se alguns ou muitos votaram em quem votaram foi por causa das bolsas sim, assim como tantos outros votaram em que votaram contra as mesmas bolsas, que no final os dois candidatos clamavam a si e a seus partidos o direito de criação do programa. Aqui não entra em mérito o posicionamento deste cidadão sobre as bolsas-algo, o ponto é a descriminação de um grupo por orientação política através de veículo público.


No caso dos posts em relação ao Nordeste basta aplicar analogia da Lei e dizer que a pessoa se sente ferida em seus princípios e condições por veículo público (internet). Acrescente-se o possível incentivo à violência. Discriminação ou racismo, conforme analogia da Lei.

Lamento muitíssimo porque tenho amigos que postaram essas coisas, separar Norte e Sul do País, mandar embora em quem iria e não foi, etc. Nem vou brigar, nem deletar, posso até ver na timeline - mas se eu fosse nordestino nessa hora, e me sentisse descriminado, procuraria um bom advogado. Ora, se alguém fizer algo semelhante comigo publicamente e me sentir descriminado em meu país, eu tomaria providências. Aliás, já tomo ao não votar em que é preconceituoso ou apoia preconceituosos - mas se perder, estando numa democracia representativa, ficaria furioso (como estou em relação a alguns pontos) - mas não partiria para a desonesta manifestação à violência.

Todos temos opiniões diversas, o conceito uniforme e mesmo análogo de verdade não faz mais parte de nossa cultura, pelo menos para a maioria. "Cada um tem sua verdade", escuto a todo momento como professor de Filosofia, mesmo que seja uma verdade sem passar pelo crivo da razão intelectiva e emotiva (sim, há que haver uma racionalidade emotiva que passe pela simpatia em termos de políticas para manutenção dos direitos individuais, colocar-se no lugar do outro). Um exemplo, eu adoro carne - mas não dispensaria ir a um restaurante vegetariano com um amigo, caso contrário ele não seria meu amigo. O contrário também é exigido - escutei uma vez, de um vegetariano amigo: que bom que vai ser na churrascaria XYZ, a parte de saladas e queijos é maravilhosa; ou ainda, vou levar salsicha de soja para churrasco.

"Se cada um exterminar na sociedade o que não quer, ninguém teria nada ou somente alguns terão tudo. Parece ser impossível que todos tenham tudo ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias." (apud moi même)

Se eu fosse nordestino não teria dúvidas de imprimir declarações e dados publicados que ferem direitos individuais e, acima de tudo, são descriminatórios. Desse modo, iria recorrer ao meios jurídicos cabíveis.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Texto

Para rir em total cegueira semântica e perspicácia pragmática:
Duas amigas conversam no estação:
- Você leu esse livro da menina?
- Que menina? Aquela que tem um cachorro fofo?
- Não. O nome é "Eu sou Umamala".
- Sim. Ela é uma mala mesmo.
- Só que ela ganhou o prêmio! - riso de debate que faz surgir atos até então primitivos na amiga.
- Claro, vendeu tantos livros.

sábado, 26 de julho de 2014

Não aprender com a História

Não aprender com a História é complicado; não seria a primeira nem a segunda vez - penso aqui - que os israelenses tem problemas graves e podem ou não serem expulsos da região. Explico-me: Conseguem antipatia não só do chamado mundo árabe, mas de boa parte da orbe. Ajuda: dos EUA? Até quando os EUA forem o que são (talvez minha minha geração sempre os verá e eles serão assim, tão poderosos) isso pode se manter. Mas e depois? Aí nossos netos estudarão a 3a. grande diáspora? Vão me chamar de antissemita, ou pior! mas é o que a História pode indicar (INDICAR - para os burros, desculpem o termo, é ter certeza que assim será o processo histórico) Para mim, pelo menos, indica um processo possível. Quando criança ainda escutei do meus avós que chineses comunistas comiam crianças, sou do interior, mas não sou ancião - e a gigante China se levantou e se levanta economicamente sobre as próprias pedras caídas (seu povo sofridos na maioria?) de sua muralha milenar. E culturalmente também, o interesse em aprender chinês, há escolas que já oferecem o mandarim como língua estrangeira, etc. 1989 quase não se comenta, direitos humanos por alguns ativistas, mas o milagre econômico é falado (não pode ser negado ipso facto) por ninguém. Um susto histórico tenho a cada vez que leio algo sobre a China: tanto positivo como negativo, mas não posso negar os fatos que a história é dinâmica - sei lá se linear ou não, nem me interessa (mentira, acho um problema filosófico e tanto). E se tudo mudar muito rápido? Tantos prêmios nobeis e tantas oportunidades a um país e não pensam (Israel e EUA) nisso, acabam com a diplomacia entre fronteiras e entre distantes, deveriam pensar um pouco mais (filosoficamente). Mas lembro antes que me acusem: JUDEU É DIFERENTE DE ISRAELENSE, E PALESTINO DIFERENTE DE ISLÂMICO OU ÁRABE. É um problema para poucos que pode atingir muitos. Agora vou para meu abrigo atrás da lavanderia porque posso ser considerado membro de Al-Qaeda ou do Hamas (se falasse contra nosso governo, poderia ser preso como medida de precaução). Não "passo a mão" na cabeça de ninguém, até por "cafuné" nada resolveria agora, sei que o Hamas faria o mesmo se Israel não tivesse sistema antimísseis, mas proporcionalidade é um conceito que se aplica entre forças em equilíbrio, o que na história presente não se dá. Um pouco de lógica e Filosofia da História poderia ajudar a pensar, ofereçamos essas aulas a ambos os lados, mas será em árabe, o idioma da maioria devido a proporcionalidade, ok? Ah, serei morto por escrever isso (...).

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O que pensar sobre os professores?

Caríssimos,

Banalidade do mal - uma frase curinga como ouvira algumas vezes de um amigo. Cabe aqui, todavia, uma ideia - o gravíssimo não é agredir professores ou quaisquer profissionais, o doloroso não é só ver um colega de trabalho que NOS representava, querendo ou não, ser agredido - poderia estarmos em situações análogas. Estamos acostumados demais com a violência; estamos frustrados com a Animal´s farm do atual governo que se dirige à ONU com belíssimos discursos sobre direitos humanos, verba movent, exempla trahent (Palavras (co)movem, exemplos arrastam). Um governo que se contradiz na teoria e na prática.

Mas superando ou na tentativa de superar o inevitável corporativismo nesse momento, que me remete ao cuidado que temos com nossos grupos primários de relações sociais, é uma agressão a todos quando se agrede qualquer um na relação público e privado, pois torna-se o público (governo, poder) contra o público (no caso, instituição professores). Por que então parece haver uma identificação afetiva de massa quando determinadas camadas da sociedade são diretamente atacadas? Não sei, tenho opiniões muito parciais. Mas vejo, todavia, que o passado deslumbra: nós, PROFESSORES, somos uma corporação (ou se quisermos, um grupo que se autorreconhece e se dá valor altíssimo) que está na história desde que nós começamos a nos entender pela linguagem, quiçá antes. Fomos meios sacerdotes, magos, sofistas, celibatários, perseguidos, amados, etc. E aqui estamos, talvez mais valorados hoje do que uma das corporações mais respeitada e poderosa do passado em nossa cultura: os clérigos. Estamos em crise? Não, somos a própria crise, o que instabiliza, um terremoto que se inicia no magma da sociedade: a educação. Quantos sistemas e engrenagens sociais nós transformamos naquilo que acreditávamos? Ninguém precisa ver, mas trabalhamos com a formação das mentalidades que uma geração ou duas serão líderes. Soa-nos algo maquiavélico isto, e que não seja e para isso olhemos os meios adequados ao devir presente, mas é perigoso: por que se somos ou nos colocamos com responsáveis pelo benefícios de uma educação, em parte também somos pelos malefícios. Coragem, deveria ser a excelência do professor! Coragem para defender a utopia, pois queremos o mais alto, e só assim será alcançado o possível - ao contrário dos fracos que o medo toma e impede a si mesmo.

Coragem,
#professor

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Filosofia da Ciência I - 2o. ano ETER. Prof. Michell de Melllo

FAETEC – ETER
Prof. Dr. Michell de Mello
2º. Ano / Ensino Médio

O termo ciência

Etimologia: o termo deriva do verbo latino  scire › scientia: saber, forma de saber. O termo latino scientia tem seu equivalente grego e)pisth/mh (ēpistē´mē), de onde deriva também o vocábulo epistemologia, ou seja, a ciência da ciência, ou ainda, o estudo do que seja a ciência. No inglês e nas demais línguas neolatinas o termo “ciência” enquanto forma de saber se manteve ligado ao radical latino (por exemplo, science (in); science (fr); scienza (it); já no alemão há um outro termo, que contudo é etimologicamente uma equivalência do termo latino: Wissenschaft, onde wissen = saber e –schaft = formador de substativo.
Estas breves linhas sobre a etimologia do termo é importante aqui para nós na busca de uma primeira compreensão não-ideológica do que está implicíto no termo “ciência”: ciência é uma forma de saber, ou ainda, uma forma organizada e estruturada de saber – independetemente da área de saber. Assim, pode-se falar de ciência matemática, ciência física e também de ciência literária, sociológica, filosófica  ou mesmo teológica. Cada área na sua especificidade, constitui a si mesma de modo razoavelmente independente das outras pelo seu objeto próprio de estudo, e através dele se organiza.
O surgimento do termo ciência: parece que a primeira vez que emerge na civilização humana um termo equivalente ao nosso vernáculo “ciência” foi na Grécia com o nascimento da Filosofia; por isso diz-se que esta foi a primeira ciência e mãe de todas. O termo grego e)pisth/mh (ēpistē´mē) foi contraponto pelo primeiros filósofos ao mu=qoj (mythos) ou narrativa, ligado demasiado a fantasia e sem um rigorismo propriamente dito, dado que a tradição grega era puramente oral e passada de forma espontânea; posteriormente se opôs o termo  e)pisth/mh (ēpistē´mē) à do/ca (dóxa) ou opnião. Platão diferenciou a e)pisth/mh (ēpistē´mē) da do/ca (dóxa), dizendo que a primeira necessariamente deve ser verdadeira, e a segundo pode sê-lo ou não. Assim, a ciência é caracterizado no mundo ocidental pela certeza sobre algo, já a opnião não exige em si mesma tal certeza.
Definimos aqui ciência por uma forma de saber especializada, com objeto próprio de estudo e método aplicável ao estudo de seu objeto.
Além do que já foi dito linhas acima, convém ainda mencionar aqui:
Podemos destacar três concepções de ciência, conforme a garantia de validade que se lhes atribui:
·         Doutrina segundo a qual a ciência provê a garantia de sua validade demonstrando suas afirmações, isto é, interligando-as num sistema ou num organismo no qual cada uma delas seja necessária e nenhuma possa ser retirada, anexada ou mudada, é o ideal clássico da ciência. Aristóteles diz que a “ciência é o conhecimento demonstrativo”. Por conhecimento demonstrativo se entende a forma de conhecimento “da causa de um objeto, isto é, conhece-se por que o objeto não pode ser diferente do que é[1]”.
·         Doutrina que considera a ciência em seu aspecto descritivo, que se começou a formar com Francis Bacon, Newton e os filósofos iluministas. Segundo Newton, a ciência tem caráter analítico e deve se contrapor ao caráter sintético.  A ciência reduz-se, assim, à observação dos fatos e às inferências  ou cálculos fundados nos fatos. Foi esta concepção de ciência que motivou Comte a fundar a sociologia. Ele afirmou que “o caráter fundamental da filosofia positiva é considerar todos os fenômenos como sujeitos a leis naturais invariáveis, cuja descoberta precisa e cuja redução ao menor número possível constituem o objetivo de todos os nossos esforços, ao mesmo tempo em que julgamos absolutamente inacessível e sem sentido a busca daquilo que se chama de causas, tanto primeiras como finais[2].”  Destaca-se aqui o caráter ativo e operacional que moveu os positivistas em estabelecer os estudos sociais.
·         Doutrina que considera  como validade científica o critério de autocorrigibilidade. Não prentensão de certeza absoluta. Esta teoria se desenvolve em várias facetas, como por exemplo, a teoria da falseabilidade de Popper. No cenário sociológico ela exerceu uma certa influência (talvez grande); contudo, não alcançou a amplitude da segunda concepção de ciência.

  1. Ideologia

            A partir da noção de ciência podemos pensar o conceito de ideologia em termos de ciências sociais como a expressão contrária ao pensamento científico. Com isto queremos dizer que ciência e ideologia não são contraditórias, isto é, excluem-se mutuamente; porém, contrárias[3]. Com isto desejamos pensar que toda ciência propriamente dita não está isenta em sentido absoluto de uma ideologia qualquer; um forte exemplo disto é o pensamento positivista que se autonomeia o representante da ciência – porém é pleno de ideologias.

            Podemos estabelecer as relações entre ciência e ideologia como uma relação
entre proposições contrárias, onde A = ciência; E= Ideologia; sendo que ab são os conteúdos aplicados.
            Ora, nas relações entre proposições contrárias, temos o seguinte esquema:
(1) Se Aab = V (verdadeiro) → Eab = F (falsa)
(2) Se Aab = F → Eab = ? (não se pode afirmar nada)
(3) Se Eab = V → Aab = F (logo, a ideologia será tomada como ciência);
(4) Se Eab = F → Aab = ? (não se pode afirmar nada)

Ex: (1) Se a teoria da evolução for verdadeira, a teoria da geração expontânea da Lamarck é falsa; (2) se a teoria da evolução for falsa, isto não implica que a teoria da geração expontânea de Lamarck seja verdadeira; (3) Se a teoria da geração expontânea de Lamarck for verdadeira, ela assume papel de ciência – dado que o verdadeiro mescla-se com o científico[4] - e torna a teoria da evolução de Darwin falsa; (4) e ainda, se a teoria da geração expontânea de Lamarck for falsa, isto não diz necessariamente que a teoria da evolução de Darwin seja verdadeira.

ANEXO: QUADRADO DAS OPOSIÇÕES

                                                             contrárias
                          Aab                                                                          Eab  


        Subalternas                                    contraditórias                                 subalternas




                        Iab                                                                          Oab
                                                                subcontrárias
                                                                                                                   




Contrárias: Aab e Eab /
Se uma for verdadeira, a outra é falsa; se uma for falso, não se sabe se a outra é verdadeira ou não.
V   = > F
F  =>  ?
Contraditórias: Aab e Oab / Iab e Eab
V => F
F => V
Subcontrárias:  Iab e Oab
F => V
V => ?
Subalternas: Aab e Iab / Eab e Oab
Universal V => Particular V
Universal F => ?
Particular F => Universal F
Particular V => ?

Ainda sobre o termo ideologia:
Este termo foi criado em 1801 por Destut de Tracy para designar a análise das sensações e das idéias.
O sentido moderno deste termo denota qualquer forma de pensamento que não tenha caráter de validade objetiva, porém mantida pelos interesses claros ou ocultos daqueles que a utilizam.
A partir do século XIX a noção de de ideologia passou a desempanhar função central no pensamento social devido à grande influência do marxismo nascente, sobretudo na luta da denominada classe burguesa por Marx. Segundo Marx as instituições socias são formadas a partir do processo histórico da economia (o chamado materialismo histórico); não compreender a sociedade a partir desta perspectiva é para os marxista uma forma clara de ideologia.
Para Pareto a noção de ideologia, está ligada à noção de teoria não-científica, entendo-se por esta última qualquer teoria que não seja lógico-experimental.
Em geral, pode-se denominar ideologia toda crença usada para o controlo dos comportamentos coletivos, entendendo-se o termo crença, em seu significado mais amplo, como noção de compromisso da conduta, que po ter ou não validade objetiva. Entendido nesse sentido, o conceito de ideologia é puramente formal, uma vez que pode ser vista como ideologia tanto quanto uma crença totalmente infundada, tanto uma crença totalmente infundada quanto uma irrealizável. O que transforma uma crença em ideologia não é sua validade ou falta de validade, mas unicamente sua capacidade de controlar os comportamentos de determinada situação[5].
Esquematicamente, podemos estabeler quanto ao termo ideologia:

                                                  Gerais da sociedade
                                               
Ideologia = Interesses              Específicos
                                                  De classe

·         O termo epistemologia

            Este termo possui dois equivalentes: teoria do conhecimento e gnoseologia. Alguns especialistas fazem distinções entre eles, todavia, aqui ele será tomodo no seu sentido geral e aplicado a todas as áreas do saber e não somente às ciências naturais.
            Sistematicamente, a epistemologia trata de um problema de cunho filosófico que diz respeito às demais áreas do saber humano: o problema do conhecimento. Impõe-se-nos as questões “como posso conhecer”? ou ainda, “como posso chegar a conhecer os fatos sociais”? A esta segunda pergunta se direciona a epistemologia das ciências sociais. Vemos que na história do pensamento o problema do conhecimento tanto geral (filosofia) como específico (demais ciências) sempre esteve ligado a uma postura anterior, podemos mesmo dizer, filosófica. De modo didático e muito limitado, esboçamos as principais posições epistemológicas, citando exemplos de alguns expoentes delas:














 
                                                           Absoluto (Platão)
                                      Realismo
                                                           Referencial (Aristóteles, Tomás de Aquino)

                                                            Fenomenológico (Scheler)

                                                            Transcendental (K. Rahner)

                                    Nominalismo (Okham)

                                    Racionalismo (Descartes, Leibniz)
Epistemologia       
                                    Empirismo (Hume, Locke)
 


                                                           Transcendental (Kant)

                                    Idealismo       Absoluto (Hegel)

                                                           Fenomenológico (Husserl) 


                                     Existencialismo (Heidegger, Sartre)

                                     Hermenêutica (Gadamer)

                                     Analítica (Wittgenstein)


A CONCEPÇÃO CLÁSSICA DE CIÊNCIA

A concepção de ciência em Platão

Exórdio:
Platão pode ser considerado um contribuinte para a atual ciência?
Em que medida o realismo absoluto platônico ajude e prejudica as ciências naturais?

Justificativa:
Visão pitagoreana da realidade: o universo é contituído em razões matemáticas, assim como a música. O universo como um todo é uma grande harmonia matemática e cabe ao investigador descobrir essas proporções na efetividade. Desse modo, pode-se dizer que Platão influencia a visão moderna de ciência, em que temos, por exemplo, a frase de Galileu: “O universo está escrito em forma matemática, para o entendermos, temos que aprender sua linguagem”.



1)      O caminho da ciência

A concepção de ciência platônica está diretamente relacionada à sua compreensão ontológica. Partindo do problema da querela pré-socrática entre mobilismo e ser estático, aparece um problema: não é possível haver conhecimento científico das realidades múltiplas porque os sentidos são somente fontes de opnião.

Um auxílio para resolver tal problema Platão assume o método dialético de Sócrates, mas ao seu modo, elevando a dialética à verdadeira ciência e própria do filósofo. Assim como em Sócrates, somente a dialética constitui caminho necessário para a verdade.

2)      Conceito platônico de ciência

Platão assume a postura do ser estático de Parmênides, mas o coloca numa esfera da realidade totalmente distinta da esfera do sentidos, já que esses tem acesso somente ao que é mutável. Assim, SER E CONHECER são coisas correlativas. Isto quer dizer que tanto maior é a participação de algo no ser, e assim, tal coisa é mais perfeita como as idéias, tanto mais perfeito é conhecimento possível de tal coisa – observamos que essa postura platônica vai contra ao parâmetro da ciência descritiva moderna.

Entretanto, entre o ser e o não-ser existe uma esfera intermediária, ou seja, o ser em movimento, o devir, havendo desse modo um certo conhecimento, imperfeito, dessa realidade que em certa medida é, mas também não é porque é mutável.

Assim, temos:
o)/n
e)pisth/mh, gnw=sij

mh/ o/)n
a)gnwi/a, a)gnwsi/a[6] 

ge/nesij[7]
do/ca

Realidade
Meio de conhecimento
e/)cw tou= ou)ranou=
to/ nohto/n
o(rato/n
a)      região celeste
b)      mundo terrestre (o(rato/n, ge/noj, ta/ o(rata/)

E ainda pode-se ver que há 3 tipos de conhecimento:

CONHECIMENTO
OBJETO
MEIO DE AQUISIÇÃO
Sensitivo
Seres materiais
Sentidos
Racional discursivo
Número e quantidade
Imaginação, razão discursiva
Racional intuitivo
Seres imateriais e não quantitativos
Entendimento




A ciência perfeita é a ciência do racional intuitivo porque é conhecimento das idéias.

3)      Alegoria da linha dividida em segmentos[8]

Mundo visível ( to/ o(rato/n  - to/ docasto/n)
1º. Ei)ko/nej: imagens, sombras, reflexos, etc.  Atuação da imaginação e a conjectura que interpreta as imagens e as sombras
Opnião (do/ca)
2º. Obejtos materias, sensíveis e visíveis (animais, plantas e coisas fabricadas). Atuação da pi/stij
Mundo intelegível (to/ nohto/n)
3º. Objetos inteligíveis da matemática. A alma utiliza imagens para ter uma hipótese, e assim, pela dialética, chegar a uma conclusão. Atuação da razão discursiva (dia/noia), que recorre ao sensível para chegar ao inteligível.
Ciência ( e)pisth/mh)
4º. Objetos inteligíveis puros, que a razão alcança sem recorrer ao sensível (idéias). Atuação da inteligência pura (nou=j, no/hsij). Trata-se da ciência perfeita, ou seja, a dialética. Único meio de se alcançar um princípio absoluto, i.d, não hipotético.

4)      Alegoria da caverna (Rep. 514ª-518ª)
5)      A dialética
5.1. aspecto lógico:
      a) movimento ascendente: síntese – elimina-se as diferenças, reduz-se a multiplicidade confusa e indeterminada à unidade concreta e determinada expressa num conceito comum.
      b) movimentos descendente: análise – divide-se um conceito geral em suas espécies distintas, seguindo suas particularidades, até chegar a uma espécie indivisível na qual se encontra a forma própria do objeto  tratado.
5.2 aspecto ontológico:
A dialética é elevada ao nível de ciência suprema, verdadeira ou i(kano/n cujos objetos são as entidades transcendentes do mundo ideal.  Assim, ao grau supremo do ser corresponde o grau supremo do conhecer (a dialética).
Todas as demais ciências ficam reduzidas a mera propedêutica para a dialética.
O entendimento (nou=j) e a sabedoria (fro/nhsij) somente se aplicam com exatidão quando se trata do verdadeiro ser (to/ o(/n o(/ntwj). Por isso, a dialética é a parte mais difícil da filosofia. Enfim, emerge a diferença entre os filo/sofoi e os filo/docoi.

6)      Considerações finais

- os filósofos platônicos acreditam na racionalidade subjacente do universo e na importância de descobri-lo;
- a contribuição platônica para a ciência é a valorização do mundo enquanto realidade matemática (influência da escola pitagórica), e assim, reafirma a concepção moderna de ciência enquanto realidade descritva – que em si difere da platônica.
- as ciências ditas naturais são formas de saber secundárias no modelo platônico e devem, numa organização política ideal, ser próprias das classes inferiores.


ARISTÓTELES
O Conceito de ciência
FRAILE, G. História de la filosofia: Grecia y Roma. 3. ed. Madrid: BAC, 1971, p. 436-49.
- A indução (Anal. Post. II 19, 100ª1-8; Met. I, I 980b26-982a3)
- Graus do conhecimento sensitivo:
1)      Sensação
2)      Memória
3)      Experiência (e)mperi/a)
4)      Conceito universal
5)      Arte (te/xnh/) : “o conceito universal, enquanto visa às coisas sujeitas à mudança, à geração e à corrupção, é o fundamento da arte, que tem por objeto a ação e a produção” (Fraile, p. 442).
6)      Ciência (e)pisth/mh) : “o conceito universal constitue o fundamento da ciência. Depois de ter sido inventadas todas as artes, as ciências foram inventadas, que não têm por objeto imediato a necessidade nem o prazer” (idem).

- Divisão das ciências (Met. VI):

Ciências
Teóricas
Práticas
Poéticas ou produtivas (várias)
1) Física (ente móvel)
1) Política
- medicina
2) Matemática (ente quanto)
2) Economia
- ginástica
3) Teologia (substância separada e eterna)
3) Ética
- música

- dialética
- retórica
- poética
Ciências gerais: Filosofia Primeira; Analítica (lógica) e Gramática

O problema da ciência de Descartes a Hegel
Visão Geral

Crise do “aristotelismo” na ciência:

1)      Início da “crise”:
Método de eliminação de Grosseteste: uma afirmativa pode ser deduzida de mais de um conjunto de premissas, a melhor abordagem é eliminar todas as explicações, menos uma.
Navalha de Okham

2)      Arisitotelismo dogmático e modernidade:
2.1  A idéia do novo
2.2  Aristóteles como autoridade atemporal nos assuntos de física
2.3  Crise entre o descoberto pela ciência nova (experimental) e o dado da autoridade.

3)      Galileu e o ataque a Aristóteles.
3.1 Visão pitagoreana da realidade: o universo está escrito em caracteres matemáticos.
3.2 Polêmica não contra o método indudivo-dedutivo de aristóteles. Se aristóteles tivesse tido um telescópio, provavelmente concordaria contra com Galileu. Crítica à adoção dos primeiros princípios sem considerar nenhuma referência ao que é dado à sensibilidade pela natureza (método de observação).

4)      Bacon
4.1 Crítica ao método aristotélico: expurgar o pré-conceito do filósofo natural.
Teoria dos idola:
- da tribo: natureza humana (julgamento dá maior regularidade do que realmente existe)
- da caverna: fruto da educação humana.
- da praça do mercado: distorções dos termos.
- do teatro: tradição fechada (dogmatismo).

5)      Descartes: crítica “real” ao método aristotélico – pois se parte sempre dos primeiros princípios, sem considerar o dado da sensibilidade.
- Método cartesiano:
a) dúvida metódica (influência de Bacon)
b) análise
c) síntese
d) revisão

- a “mathesis universalis”: A mathesis não é uma substância, mas um método: por isto pode ser aplicada a toda a realidade. A mathesis universalis deve exprimir as leis fundamentais da razão humana e estender-se a todas as verdades demonstráveis.
Não se trata da lógica formal porque Descartes a identifica com a escolástica, com a silogística. Ela tem por objeto as relações e as medidas.
Como se trata de relação e medida, é necessário existir uma enumeração completa. É um recorrer à memória para rever clara e distitamente as partes que nos conduziram ao conhecimento de algo.

6)      O empirismo e o retorno a Aristóteles
6.1 Locke:
O “Ensaio sobre a inteligência humana” se divide em quatro livros:
1. negação que existem princípios inatos;
Ainda que houvesse verdades sobre as quais todos os homens concordassem, isso não demonstraria  de fato que tais idéias são inatas. Aliás, não existem idéias sobre as quais todos os homens concordem. Por exemplo, as crianças e os homens rudes não têm nenhuma idéia do princípio de não-contradição.
Somente por graus adquirimos as idéias e seus termos e aprendemos seu recíproco vínculo apropriado.”
Todas as idéias derivam da experiência, que pode ser:
                        a. externa: sensação
                        b. interna: reflexão

6.2 o ceticismo de Hume:
a)      Idéias simples e compostas
b)      Negação da causalidade

7)      Kant

Caráter sintético do pensamento kantiano para a ciência – os juízos sintéticos a priori
a)      valorização da experiência através do múltiplo dado à sensibilidade (empirismo, novo aristetelismo).
b)      Valorização dos primeiros princípios como imutáveis, porque são a priori (racionalismo).
c)      Super-valorização do conhecimento das ciências naturais como única forma de conhecimento válido.

8)      Hegel e a crise do método da ciência moderna
- Devido à dialética do espírito, cada fase da ciência é um momento necessário da manifestação da razão na história. Assim, não há necessariamente uma ciência ou método científico exclusivamente verdadeiro.
- Função do momento histórico na determinação da ciência.
- Subordinação da ciência natural à filosofia






[1] ARISTÓTELES, Primeiros Analíticos, I, 2, 71b 9ss.
[2] COMTE, A. Curso de Filosofia Positiva, I §4.
[3] Tiramos esta expressão do clássico quadrado das oposições da lógica (vejo anexo acima).
[4] No sentido apontado por nós.
[5] Cf. IDEOLOGIA. In : ABBAGNANNO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Marins Fontes, 2001, p. 531-33.
[6] Ignorância.       
[7] Vir-a-ser, devir. Provavelmente há uma relação semântica com o gh= (terra) e também com o verbo gignomai=. Um tradução do uso é criatura, que tem origem na terra, ou seja, criatura material.
[8] Rep. 509d-511e