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domingo, 19 de abril de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
Noção de Modernidade - 2o. ano do Ensino Médio - FAETEC/ETER - 1a. etapa/2015
FAETEC – ETER
FILOSOFIA – 2O ANO / EM
Prof. Dr. Michell de Mello
Resumo esquemático
1. Noção de modernidade
Estamos nos tempos modernos!!! De
fato, mas faz-se mais de 400 anos....
O
termo "modernidade" é, talvez, uma dos mais caros ao homem
contemporâneo. Nós nos consideramos modernos porque usamos esta ou aquela
roupa, porque vamos a este lugar e não àquele outro, etc. Entretanto, nós não
percebemos que estamos totalmente ligados a uma tradição, que por ser moderna,
não tem hoje nada de movimento de vanguarda ou libertário para nosso tempo, ao
contrário justamente, pois modernidade (do latim arcaico e clássico, modus: medida de superfície e, assim,
maneira de se encaminhar, conduta, comportamento) implica rigidez a um modo preestabelecido.
Implica uniformidade e sistematização. É neste sentido rígido do modus
que chamamos o período da Filosofia entre os séculos XV e XIX-XX de período moderno.
Em
relação a esta fase da Filosofia, podemos considerar duas noções fundamentais que dão identidade a
este período: a idéia de progresso, que faz com que o novo seja
considerado melhor que o mais antigo e a valorização do indivíduo ou da subjetividade como lugar privilegiado da
certeza e da verdade.
2. Fatores históricos que influenciaram a
noção de modernidade
2.1
Fatores
remotos (aqueles que se encontram na Baixa Idade Média ou, em termos de
Filosofia, na Escolástica, tanto no seu auge como no seu fim).
· Redescoberta
das obras de Aristóteles pelos europeus: durante a primeira fase da Idade Média, também
chamada de Alta Idade Média ou Patrística (na Filosofia) durante a qual a
principal influência filosófica foi Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho foi
formado o imaginário da Medievo. Este desenvolveu seu pensamento através de uma
matriz platônica cuja principal característica é uma dualidade ou divisão
radical entre ideia e matéria (mundo material e mundo sensível). Assim,
formou-se uma mentalidade geral de que a ideia, o conceito, o pensamento é mais
real, logo mais importante do que a matéria. Por sua vez, os árabes, após a
formação da religião islâmica no séc. VII por Maomé formaram um cultura dentro
da região do antigo império helenístico de Alexandre Magno. Sobretudo a partir
do califado de Bagdá houve grandes estudos sobre as áreas de conhecimento da
cultura grega, não somente de Filosofia, mas também Astronomia, Medicina,
Matemática, Física, etc. Esse mesmo povo ou cultura conquistou o norte da
África, convertendo ao Islã os povos berberes (palavra que na sua etimologia
árabe significa ocidental). A partir daí alcançaram a Península Ibérica
estabelecendo nela uma cultura muito mais desenvolvida do que aquela dos
europeus latinos cristãos tinham. Córdoba pode ser considerada a cidade melhor
desenvolvida do início da Escolástica. A grande importância dos árabes,
mulçumanos, para nós neste momento, foi que eles traduziram do grego para o
siríaco, depois para o latim, diversas obras de Filosofia, sobretudo
Aristóteles, que era praticamente desconhecido na Europa cristã da época
(exceto poucos fragmentos). Ora, como sabemos, a filosofia de Aristóteles
compreende a realidade ou aquilo que é, o ente, como a unidade de dois
princípios: matéria e forma – ao contrário do pensamento platônico que divide a
realidade entre estes dois princípios, valorizando mais a forma ou ideia em
detrimento da matéria. Com o retorno das obras de Aristóteles ao ocidente
cristão começa-se, aos poucos, um revalorização da matéria, e assim, dos
estudos ligados ao mundo material, como a medicina, a física, etc. Este foi um
primeiro impulso para o pensamento moderno, uma vez que o Aristóteles
“científico”, trazido pelos árabes, foi uma das válvulas da chamada nova
ciência ou ciência moderna.
· Surgimento
das universidades na Europa:
as universidade europeias surgem como um desenvolvimento das escolas monásticas
medievais. Todavia, constituem um crescimento não somente no tamanho físico ou
de abrangência das escolas monásticas, mas qualitativo, pois vão impulsionar o
pensamento europeu ao questionamento das verdades transmitidas pela tradição de
origem platônica e agostiniana. Nota-se aqui a relação intrínseca entre o
surgimento das universidade e a divulgação do pensamento de Aristóteles trazido
à Europa pelos árabes. Mesmo havendo proibições de leitura e ensino em alguns
períodos da obra de Aristóteles, ou ainda, muitas críticas por parecer que o
Estagirita (Aristóteles) não se enquadra na filosofia cristã agostiniana, o
debate proporcionou maior interesse por essa novidade antiga, e como não
poderia deixar de ser, o interesse pelas questões materiais, muito além da
teologia e da filosofia especulativa. Vejamos que além dos primeiros cursos de
Filosofia e Teologia, surgiram duas outras formações acadêmicas: a Medicina e o
Direito nas universidades da Europa. Além disto, devido às influências da
cultura e pensamento árabes, houve também um crescimento constante do interesse
pela matemática e pela observação dos fenômenos naturais – nada está no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos,
diz Aristóteles - que culminará na
Revolução Científica do início do período moderno.
· Nominalismo inglês é classificado pelos historiadores
da Filosofia como já um período de decadência da Escolástica ou da Baixa Idade
Média. Este foi desenvolvido principalmente na região da Grã-Bretanha e como o
seu título reza prega que todos os conceitos (que seriam realidades máximas
opostas à matéria, ou pelo menos, precedentes a ela, tanto na tradição
agostiniana-platônica quanto na aristotélica-tomista que prega a precedência da
forma sobre a matéria em sentido ontológico ou metafísico) são apenas nomes, flactus vocis, sopros de voz. Esse
pensamento representa uma mudança radical na mentalidade europeia uma que vez
que o conceito é apenas um som, uma voz, e não necessariamente uma realidade
última do mundo das ideias ou da mente divina, nem é aquilo que determina a
realidade última. A realidade primeira é a coisa que existe – e o que existe
nos é dado ou conhecido através dos sentidos. Partimos aqui de um princípio
clássico da filosofia platônica quanto à teoria do conhecimento (Fédon): é o
semelhante que conhece o semelhante. Este princípio foi amplamente usado
para justificar a imaterialidade da alma intelectiva humana, uma vez que conhece
conceitos que não são materiais, a alma também é imaterial. Os nominalistas não
negaram em absoluto isto, mas disseram que o homem também é matéria e ao
aplicarmos o mesmo conceito, podemos dizer que o homem conhece a matéria uma
que vez que também é formado por um componente material. Vale aqui relembrar a
máxima aristotélica, novamente, a respeito da teoria do conhecimento: Nada se encontra no intelecto que não tenha
passado antes pelos sentidos. A questão para os nominalistas não é negar o
conhecimento ipse litteris da
realidade imaterial, que é para eles uma voz, mas desvalorizar o conhecimento
da matéria, do singular, que parece ter sido a ênfase na tradição escolástica,
mesmo nas escolas tomistas. Assim conhecemos a famosa “Navalha de Okham”, sendo
este um grande pensador nominalista: Não devemos multiplicar os entes
(coisas existentes) sem necessidade. Isto significa que não é necessário a
criação de novos conceitos a partir de conceitos, como por exemplo, a
vermelhidão do vermelho e ainda o vermelho presente na vermelhidão do vermelho;
todavia trata-se muito mais de ver e aplicar-se sobre um ente/coisa concreto
que é vermelho, por exemplo, um pedaço de pano. De nada adianta para o
conhecimento do pano vermelho a discussão sobre o grau de sua vermelhidão, se o
vermelho é real ou falso, mas entender que
este tecido existe e me parece vermelho, quais são suas características
físicas como tamanho, durabilidade, etc., devendo assim ser estudado o tecido
que existe, o ente real e material, e não ficar criando ou inventando palavras
ou termos que em nada contribuem para a melhor compreensão da coisa tecido.
2.2 Fatores próximos (presentes na formação
do período moderno em si)
· O humanismo renascentista: é um período com identidade filosófica
própria porque não se confunde nem com o
período clássico e medieval da Filosofia e nem com o pensamento moderno em si,
mas teve influência determinante no desenvolvimento da filosofia moderna.
"O homem é a medida de todas as coisas", foi o lema assumido de Protágoras pelos
humanistas, rompendo diretamente com o período medieval e com sua cosmovisão
quase sempre teocêntrica. Como motivação, buscava-se retornar ao métodos
greco-romanos pagãos, buscando neles e no seu desenvolver estético um novo ideal
de homem, com uma forte valorização do eu de cada indivíduo.
Nas artes, valorizava-se o corpo humano
como dotado de beleza própria que se expressa na sua proporção e em suas linhas harmoniosas, pois o homem é um deus não em sentido absoluto,
porque é um homem, mas é um deus humano. (Nicolau de Cusa) Foi durante o
Humanismo que foi cunhado o termo Idade Média, mostrando um desejo de retornar
ao período clássico do pensamento, considerando assim um período de mil anos ou
mais como um meio entre o clássico greco-latino e o moderno. O Renascimento é
marcado pelo antropomorfismo das artes (formas humanas nas obras de arte) ao
contrário do teomorfismo (formas segradas na artes). Ao observarmos um pintura
de um rei ou nobre medieval ele nos parece um santo, não humano, acima de nossa
condição humana; já ao observarmos uma obra de arte renascentista podemos
vislumbrar figuras religiosas como Maria, os santos e Jesus com traços
claramente humanos, ou seja, antropomórficos. Fica caracterizado nesse período
também o clássico didático da passagem do teocentrismo ou antropocentrismo, ou
seja, Deus deixa de ser o centro das atenções para ser o homem este centro.
Existem autores que discutem gravemente esta interpretação, mas para fim
didáticos resolvemos mantê-la aqui para assinalar a mudança de mentalidade na
passagem do Medievo para a Modernidade via período do Renascimento.
· Reforma protestante: a reforma religiosa e sócio-política
iniciada por Lutero é paradoxal, pois este ao negar a liberdade do homem frente
à vontade absoluta de Deus , ou seja, o servo-arbítrio ("agir contra a própria consciência não é
seguro para nós, nem depende de nós." Lutero) é um retrocesso quanto
às ideias renascentistas; todavia, ao afirmar que só a fé individual pode salvar,
impulsionou as crença da subjetividade, típica do humanismo. Esta fé individual
é manifestada na tese da livre interpretação da bíblia, na qual cada indivíduo
pode escutar a voz de Deus presente nas
escrituras. Outra tese de Lutero que corrobora para o surgimento da
Modernidade é o sacerdócio comum a todos os fiéis, isto significa que cada indivíduo
pode servir como ponte entre o humano e o divino, não restringindo esta relação
somente aos clérigos ordenados pela Igreja. Podemos ainda acrescentar a
importância da língua nacional no serviço religioso no lugar do latim que
afirma o caráter subjetivo (e nacionalista) da Reforma protestante. É nesse
momento que se começa a escrever ensaios científicos, de forma cada mais
crescente, na língua de casa país e a se utilizar cada vez menos o latim. O
latim continua a ser uma língua científica importante, uma língua franca, mas
escrever ou traduzir estas ideias para o vernáculo ou idioma nacional não é
mais algo “pecaminoso” ou mal-visto.
· A revolução científica: inicia-se com a tese de Copérnico que
defendia matematicamente o heliocentrismo. Contudo, tal tese ia contra ao
geocentrismo que havia já há 2000 anos e
refletia a própria cosmovisão medieval e antiga do mundo. A ciência moderna
surge quando se torna mais importante salvar os fenômenos e quando a observação, a experimentação e a verificação de hipóteses tornam-se critérios decisivos para o
conhecimento, suplantando, assim, o método metafísico. A Revolução Científica
quebra o paradigma de que o conhecimento tradicional está sempre correto e é
inquestionável e ainda acrescenta um elemento típico da modernidade: o
progresso, ou seja, o novo é melhor do que antigo.
Novidades
decorrentes da Revolução Científica:
· quanto à cosmologia: validade do modelo
heliocêntrico;
· quanto à ciência: observação e o método
experimental;
· mecanicismo: o universo e tudo que há nele
funciona como uma máquina
"O universo é um livro escrito em linguagem
geométrica; para compreendê-la é necessário aprender a ler esta linguagem."
Galileu Galilei
· Redescoberta do ceticismo antigo: com o Renascimento foram redescobertas e
traduzidas para as línguas nacionais várias obras clássicas do pensamento grego
e helenístico e começa a existir um interesse crescente por este aspecto. Um
destes aspectos importantes aqui é a redescoberta do ceticismo antigo,
sobretudo o de Pirro, que propõe suspender o juízo dada a impossibilidade de se
ter certeza, tanto afirmativa como negativa, sobre algo. A dúvida passa a ser
considerada o primeiro degrau para grau qualquer investigação científica e
filosófica, uma vez que as próprias certezas da tradição (sobretudo medieval)
transmitidas são questionadas. O começo do conhecimento, podemos dizer, não está
na certeza que temos sobre determinada realidade, mas a dúvida sobre ela que
pode nos conduzir a determinado conhecimento que afirme ou contradiga o antigo,
mas que ainda não se sabe. Somente com a dúvida pode-se alcançar o
progresso e o novo, uma vez que a
certeza significa estagnar naquilo que se acredita já saber.
Referência
Bibliográfica básica:
KUNZMANN, Peter
& All. Atlas der Philosophie.
München: Deutscher Taschenbuch, 2003
MARCONDES, Danilo.
Iniciação à História da Filosofia:
dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Zahar, 2005
ENDERS, Armelle
& All. História em curso: da
antiguidade à globalização. Rio de Janeiro: Editora do Brasil/ FGV, 2008.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Discussões sobre política
Vejamos o nível em que está a discussão política. Não importa Direita ou Esquerda, mas sim uma educação política e respeito mútuo; aqui não há diálogo, apenas solilóquios. Tudo parece ter se convertido em catequese dogmática na qual não se fala por conceitos, não se escuta o outro e, acima de tudo, não se pensa no bem-comum. Emergem em mim dois sentimentos: medo de posturas unilaterais e coragem para continuar lecionando sem explicitar visão subjetiva, mas apresentando argumentos contrários. Nas ruas, nos palanques, nas redes sociais vemos uma antinomia, não da razão como assinalara Kant na CRP, mas de uma politicagem camuflada de política. O fanatismo e ultrarradicalismo outrora aqui reservado às instituições religiosas (não em absoluto) - mas que ainda algumas permanecem nesse viés - transmuta-se numa piedade piegas cuja liderança tem um longo discurso monossilábico reproduzido por seus seguidores na certeza fideísta da parusia soteriológica da humanidade "de poucos". Tenho orgulho de ter amigos que defendem posturas diversas, sem ofender o outro, que pensam e têm a coragem de até remodelar visões de mundo; nesses vídeos, porém, vemos que quem ousa pensar continua sendo minoria. Para ficar claro tamanha disparidade locucionária, na minha mera opinião num mundo no qual a opinião é um dogma universal, vejo tal postura no governo atual e na oposição - ambos com rebanhos de ovelhas a tilintar a mesmidade do nada. Tive a honra de ser aluno de Otto Apel, já bastante idoso em curso em bloco. Soa forte ainda em meus ouvidos a enfática afirmação dele em sala de aula aos doutorandos e convidados: sem uma firme educação política cuja fala se baseie no respeito, a tecnocracia torna-se selvageria. Entre celulares e etc., ei-la: a selvageria. Realmente estou velho. Interessante ver os dois vídeos, para aqueles que se interessam. #movimentocroissant
FB: Michell de Mello
https://www.youtube.com/watch?v=2iu5GXm25c0https://www.youtube.com/watch?v=2iu5GXm25c0
FB: Michell de Mello
https://www.youtube.com/watch?v=2iu5GXm25c0https://www.youtube.com/watch?v=2iu5GXm25c0
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Xenofobia como eufemismo e decadência do processo democrático.
Eufemismo ao falar do Nordeste - por que usar termos politicamente corretos que mascaram condutas do "culto homem" das regiões mais ao sul do país?
Para quem não se ateve à semântica e visa inescrupulosamente à pragmática, cuidado com sua sintaxe:
Xenofobia, do grego: "xénos": estrangeiro, aquele que não fala sua língua e não se auto-governa, por extensão, aqueles que estão longe ou bárbaros. Acrescente-se phobós, medo.
Preconceito contra nordestinos não pode ser considerado xenofobia, stricto senso, dado que eles são brasileiros e é brasileiro quem nasce no território nacional (jus terrae), salve outros casos. Todos falamos português, logo também não caberia o termo xenofobia aqui. O voto é secreto e um direito-dever; logo cada um e, por consequência, a maioria vota em quem lhe diz respeito. Os motivos são diversos e numa democracia representativa posso discordar do outro, a maioria vence segundo critérios pré-determinados e assim, os nordestinos se auto-governam porque foram às urnas, tanto quanto sulistas e sudestistas (?) se auto-governam representativamente quando votam. Defender política e incitar descriminação está muito distante de um ideal democrático. Então, não pode haver xenofobia aqui.O termo é um eufemismo que revela no seu vazio em certos significantes algo até mais doloroso e que todo brasileiro entende imediatamente: discriminação. Todavia trata-se tão somente de mais uma forma de discriminação e intolerância ao diverso que não fere à coletividade e sim prima pelos direitos individuais. Pode-se mesmo chamar, por analogia, de racismo ou discriminação por condição social.Se a discriminação for por orientação política, aplica-se o mesmo. Se a discriminação for porque alguns se consideram melhores do que outros a ponto de impor sua vontade à margem de um contrato pré-estabelecido (aqui no caso, votos válidos, TSE, etc.), tirando dos outros os direitos de orientações políticas ou outras quaisquer, ousaria gritar facismo nacionalista. Ainda assim, aplica-se analogia da Lei. O mesmo vale para, ainda usando o princípio de analogia, os direitos das minorias, sejam elas quais forem.
Observemos ainda, no que se refere ao pleito passado, não se trata estatisticamente de minorias, mas um maioria em números. Ainda que a diferença seja mínima e nos coloque a pensar, é simples. Outros Estados ou instituições tem outros parâmetros, como os 2/3 dos presentes. Acrescento ainda que quem não votou, anulou ou algo semelhante, cobriu-se de seu direito democrático. Isso não é ilegal. Não é compreensível defender a democracia sem defender direitos individuais, nesse caso, dos eleitores do Norte e Nordeste, de votarem em quem quiserem. Se houve "currais" eleitorais e bolsa-voto deve ser vigiado e tendo provas, denunciado. Só gritar e ofender não resolverá. Podemos acreditar que se alguns ou muitos votaram em quem votaram foi por causa das bolsas sim, assim como tantos outros votaram em que votaram contra as mesmas bolsas, que no final os dois candidatos clamavam a si e a seus partidos o direito de criação do programa. Aqui não entra em mérito o posicionamento deste cidadão sobre as bolsas-algo, o ponto é a descriminação de um grupo por orientação política através de veículo público.
No caso dos posts em relação ao Nordeste basta aplicar analogia da Lei e dizer que a pessoa se sente ferida em seus princípios e condições por veículo público (internet). Acrescente-se o possível incentivo à violência. Discriminação ou racismo, conforme analogia da Lei.
Lamento muitíssimo porque tenho amigos que postaram essas coisas, separar Norte e Sul do País, mandar embora em quem iria e não foi, etc. Nem vou brigar, nem deletar, posso até ver na timeline - mas se eu fosse nordestino nessa hora, e me sentisse descriminado, procuraria um bom advogado. Ora, se alguém fizer algo semelhante comigo publicamente e me sentir descriminado em meu país, eu tomaria providências. Aliás, já tomo ao não votar em que é preconceituoso ou apoia preconceituosos - mas se perder, estando numa democracia representativa, ficaria furioso (como estou em relação a alguns pontos) - mas não partiria para a desonesta manifestação à violência.
Todos temos opiniões diversas, o conceito uniforme e mesmo análogo de verdade não faz mais parte de nossa cultura, pelo menos para a maioria. "Cada um tem sua verdade", escuto a todo momento como professor de Filosofia, mesmo que seja uma verdade sem passar pelo crivo da razão intelectiva e emotiva (sim, há que haver uma racionalidade emotiva que passe pela simpatia em termos de políticas para manutenção dos direitos individuais, colocar-se no lugar do outro). Um exemplo, eu adoro carne - mas não dispensaria ir a um restaurante vegetariano com um amigo, caso contrário ele não seria meu amigo. O contrário também é exigido - escutei uma vez, de um vegetariano amigo: que bom que vai ser na churrascaria XYZ, a parte de saladas e queijos é maravilhosa; ou ainda, vou levar salsicha de soja para churrasco.
"Se cada um exterminar na sociedade o que não quer, ninguém teria nada ou somente alguns terão tudo. Parece ser impossível que todos tenham tudo ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias." (apud moi même)
Se eu fosse nordestino não teria dúvidas de imprimir declarações e dados publicados que ferem direitos individuais e, acima de tudo, são descriminatórios. Desse modo, iria recorrer ao meios jurídicos cabíveis.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Texto
Para rir em total cegueira semântica e perspicácia pragmática:
Duas amigas conversam no estação:
- Você leu esse livro da menina?
- Que menina? Aquela que tem um cachorro fofo?
- Não. O nome é "Eu sou Umamala".
- Sim. Ela é uma mala mesmo.
- Só que ela ganhou o prêmio! - riso de debate que faz surgir atos até então primitivos na amiga.
- Claro, vendeu tantos livros.
- Você leu esse livro da menina?
- Que menina? Aquela que tem um cachorro fofo?
- Não. O nome é "Eu sou Umamala".
- Sim. Ela é uma mala mesmo.
- Só que ela ganhou o prêmio! - riso de debate que faz surgir atos até então primitivos na amiga.
- Claro, vendeu tantos livros.
sábado, 26 de julho de 2014
Não aprender com a História
Não aprender com a História é complicado; não seria a primeira nem a segunda vez - penso aqui - que os israelenses tem problemas graves e podem ou não serem expulsos da região. Explico-me: Conseguem antipatia não só do chamado mundo árabe, mas de boa parte da orbe. Ajuda: dos EUA? Até quando os EUA forem o que são (talvez minha minha geração sempre os verá e eles serão assim, tão poderosos) isso pode se manter. Mas e depois? Aí nossos netos estudarão a 3a. grande diáspora? Vão me chamar de antissemita, ou pior! mas é o que a História pode indicar (INDICAR - para os burros, desculpem o termo, é ter certeza que assim será o processo histórico) Para mim, pelo menos, indica um processo possível. Quando criança ainda escutei do meus avós que chineses comunistas comiam crianças, sou do interior, mas não sou ancião - e a gigante China se levantou e se levanta economicamente sobre as próprias pedras caídas (seu povo sofridos na maioria?) de sua muralha milenar. E culturalmente também, o interesse em aprender chinês, há escolas que já oferecem o mandarim como língua estrangeira, etc. 1989 quase não se comenta, direitos humanos por alguns ativistas, mas o milagre econômico é falado (não pode ser negado ipso facto) por ninguém. Um susto histórico tenho a cada vez que leio algo sobre a China: tanto positivo como negativo, mas não posso negar os fatos que a história é dinâmica - sei lá se linear ou não, nem me interessa (mentira, acho um problema filosófico e tanto). E se tudo mudar muito rápido? Tantos prêmios nobeis e tantas oportunidades a um país e não pensam (Israel e EUA) nisso, acabam com a diplomacia entre fronteiras e entre distantes, deveriam pensar um pouco mais (filosoficamente). Mas lembro antes que me acusem: JUDEU É DIFERENTE DE ISRAELENSE, E PALESTINO DIFERENTE DE ISLÂMICO OU ÁRABE. É um problema para poucos que pode atingir muitos. Agora vou para meu abrigo atrás da lavanderia porque posso ser considerado membro de Al-Qaeda ou do Hamas (se falasse contra nosso governo, poderia ser preso como medida de precaução). Não "passo a mão" na cabeça de ninguém, até por "cafuné" nada resolveria agora, sei que o Hamas faria o mesmo se Israel não tivesse sistema antimísseis, mas proporcionalidade é um conceito que se aplica entre forças em equilíbrio, o que na história presente não se dá. Um pouco de lógica e Filosofia da História poderia ajudar a pensar, ofereçamos essas aulas a ambos os lados, mas será em árabe, o idioma da maioria devido a proporcionalidade, ok? Ah, serei morto por escrever isso (...).
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
O que pensar sobre os professores?
Caríssimos,
Banalidade do mal - uma frase curinga como ouvira algumas vezes de um amigo. Cabe aqui, todavia, uma ideia - o gravíssimo não é agredir professores ou quaisquer profissionais, o doloroso não é só ver um colega de trabalho que NOS representava, querendo ou não, ser agredido - poderia estarmos em situações análogas. Estamos acostumados demais com a violência; estamos frustrados com a Animal´s farm do atual governo que se dirige à ONU com belíssimos discursos sobre direitos humanos, verba movent, exempla trahent (Palavras (co)movem, exemplos arrastam). Um governo que se contradiz na teoria e na prática.
Mas superando ou na tentativa de superar o inevitável corporativismo nesse momento, que me remete ao cuidado que temos com nossos grupos primários de relações sociais, é uma agressão a todos quando se agrede qualquer um na relação público e privado, pois torna-se o público (governo, poder) contra o público (no caso, instituição professores). Por que então parece haver uma identificação afetiva de massa quando determinadas camadas da sociedade são diretamente atacadas? Não sei, tenho opiniões muito parciais. Mas vejo, todavia, que o passado deslumbra: nós, PROFESSORES, somos uma corporação (ou se quisermos, um grupo que se autorreconhece e se dá valor altíssimo) que está na história desde que nós começamos a nos entender pela linguagem, quiçá antes. Fomos meios sacerdotes, magos, sofistas, celibatários, perseguidos, amados, etc. E aqui estamos, talvez mais valorados hoje do que uma das corporações mais respeitada e poderosa do passado em nossa cultura: os clérigos. Estamos em crise? Não, somos a própria crise, o que instabiliza, um terremoto que se inicia no magma da sociedade: a educação. Quantos sistemas e engrenagens sociais nós transformamos naquilo que acreditávamos? Ninguém precisa ver, mas trabalhamos com a formação das mentalidades que uma geração ou duas serão líderes. Soa-nos algo maquiavélico isto, e que não seja e para isso olhemos os meios adequados ao devir presente, mas é perigoso: por que se somos ou nos colocamos com responsáveis pelo benefícios de uma educação, em parte também somos pelos malefícios. Coragem, deveria ser a excelência do professor! Coragem para defender a utopia, pois queremos o mais alto, e só assim será alcançado o possível - ao contrário dos fracos que o medo toma e impede a si mesmo.
Coragem,
#professor
Banalidade do mal - uma frase curinga como ouvira algumas vezes de um amigo. Cabe aqui, todavia, uma ideia - o gravíssimo não é agredir professores ou quaisquer profissionais, o doloroso não é só ver um colega de trabalho que NOS representava, querendo ou não, ser agredido - poderia estarmos em situações análogas. Estamos acostumados demais com a violência; estamos frustrados com a Animal´s farm do atual governo que se dirige à ONU com belíssimos discursos sobre direitos humanos, verba movent, exempla trahent (Palavras (co)movem, exemplos arrastam). Um governo que se contradiz na teoria e na prática.
Mas superando ou na tentativa de superar o inevitável corporativismo nesse momento, que me remete ao cuidado que temos com nossos grupos primários de relações sociais, é uma agressão a todos quando se agrede qualquer um na relação público e privado, pois torna-se o público (governo, poder) contra o público (no caso, instituição professores). Por que então parece haver uma identificação afetiva de massa quando determinadas camadas da sociedade são diretamente atacadas? Não sei, tenho opiniões muito parciais. Mas vejo, todavia, que o passado deslumbra: nós, PROFESSORES, somos uma corporação (ou se quisermos, um grupo que se autorreconhece e se dá valor altíssimo) que está na história desde que nós começamos a nos entender pela linguagem, quiçá antes. Fomos meios sacerdotes, magos, sofistas, celibatários, perseguidos, amados, etc. E aqui estamos, talvez mais valorados hoje do que uma das corporações mais respeitada e poderosa do passado em nossa cultura: os clérigos. Estamos em crise? Não, somos a própria crise, o que instabiliza, um terremoto que se inicia no magma da sociedade: a educação. Quantos sistemas e engrenagens sociais nós transformamos naquilo que acreditávamos? Ninguém precisa ver, mas trabalhamos com a formação das mentalidades que uma geração ou duas serão líderes. Soa-nos algo maquiavélico isto, e que não seja e para isso olhemos os meios adequados ao devir presente, mas é perigoso: por que se somos ou nos colocamos com responsáveis pelo benefícios de uma educação, em parte também somos pelos malefícios. Coragem, deveria ser a excelência do professor! Coragem para defender a utopia, pois queremos o mais alto, e só assim será alcançado o possível - ao contrário dos fracos que o medo toma e impede a si mesmo.
Coragem,
#professor
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Filosofia da Ciência I - 2o. ano ETER. Prof. Michell de Melllo
FAETEC – ETER
Prof. Dr. Michell de Mello
Prof. Dr. Michell de Mello
2º. Ano / Ensino
Médio
Contato: mafmello@gmail.com
O termo ciência
Etimologia:
o termo deriva do verbo latino scire › scientia: saber, forma de saber.
O termo latino scientia tem seu
equivalente grego e)pisth/mh (ēpistē´mē), de onde deriva também o vocábulo
epistemologia, ou seja, a ciência da ciência, ou ainda, o estudo do que seja a
ciência. No inglês e nas demais línguas neolatinas o termo “ciência” enquanto
forma de saber se manteve ligado ao radical latino (por exemplo, science (in);
science (fr); scienza (it); já no alemão há um outro termo, que contudo é
etimologicamente uma equivalência do termo latino: Wissenschaft, onde wissen
= saber e –schaft = formador de
substativo.
Estas
breves linhas sobre a etimologia do termo é importante aqui para nós na busca
de uma primeira compreensão não-ideológica do que está implicíto no termo
“ciência”: ciência é uma forma de saber, ou ainda, uma forma organizada e
estruturada de saber – independetemente da área de saber. Assim, pode-se falar
de ciência matemática, ciência física e também de ciência literária, sociológica,
filosófica ou mesmo teológica. Cada área
na sua especificidade, constitui a si mesma de modo razoavelmente independente
das outras pelo seu objeto próprio de estudo, e através dele se organiza.
O
surgimento do termo ciência: parece que a primeira vez que emerge na
civilização humana um termo equivalente ao nosso vernáculo “ciência” foi na
Grécia com o nascimento da Filosofia; por isso diz-se que esta foi a primeira
ciência e mãe de todas. O termo grego e)pisth/mh (ēpistē´mē) foi contraponto pelo
primeiros filósofos ao mu=qoj (mythos) ou narrativa, ligado demasiado a
fantasia e sem um rigorismo propriamente dito, dado que a tradição grega era
puramente oral e passada de forma espontânea; posteriormente se opôs o
termo e)pisth/mh (ēpistē´mē) à do/ca (dóxa)
ou opnião. Platão diferenciou a e)pisth/mh (ēpistē´mē) da do/ca (dóxa), dizendo
que a primeira necessariamente deve ser verdadeira, e a segundo pode sê-lo ou
não. Assim, a ciência é caracterizado no mundo ocidental pela certeza sobre
algo, já a opnião não exige em si mesma tal certeza.
Definimos
aqui ciência por uma forma de saber especializada, com objeto próprio de estudo
e método aplicável ao estudo de seu objeto.
Além do que já foi dito linhas
acima, convém ainda mencionar aqui:
Podemos
destacar três concepções de ciência, conforme a garantia de validade que se
lhes atribui:
·
Doutrina
segundo a qual a ciência provê a garantia de sua validade demonstrando suas
afirmações, isto é, interligando-as num sistema ou num organismo no qual cada
uma delas seja necessária e nenhuma possa ser retirada, anexada ou mudada, é o
ideal clássico da ciência. Aristóteles diz que a “ciência é o conhecimento
demonstrativo”. Por conhecimento demonstrativo se entende a forma de
conhecimento “da causa de um objeto, isto é, conhece-se por que o objeto não
pode ser diferente do que é[1]”.
·
Doutrina
que considera a ciência em seu aspecto descritivo, que se começou a formar com
Francis Bacon, Newton e os filósofos iluministas. Segundo Newton, a ciência tem
caráter analítico e deve se contrapor ao caráter sintético. A ciência reduz-se, assim, à observação dos
fatos e às inferências ou cálculos
fundados nos fatos. Foi esta concepção de ciência que motivou Comte a fundar a
sociologia. Ele afirmou que “o caráter fundamental da filosofia positiva é
considerar todos os fenômenos como sujeitos a leis naturais invariáveis, cuja
descoberta precisa e cuja redução ao menor número possível constituem o
objetivo de todos os nossos esforços, ao mesmo tempo em que julgamos
absolutamente inacessível e sem sentido a busca daquilo que se chama de causas,
tanto primeiras como finais[2].” Destaca-se aqui o caráter ativo e operacional
que moveu os positivistas em estabelecer os estudos sociais.
·
Doutrina
que considera como validade científica o
critério de autocorrigibilidade. Não prentensão de certeza absoluta. Esta
teoria se desenvolve em várias facetas, como por exemplo, a teoria da
falseabilidade de Popper. No cenário sociológico ela exerceu uma certa
influência (talvez grande); contudo, não alcançou a amplitude da segunda
concepção de ciência.
- Ideologia
A partir da noção de ciência podemos
pensar o conceito de ideologia em termos de ciências sociais como a expressão
contrária ao pensamento científico. Com isto queremos dizer que ciência e
ideologia não são contraditórias, isto é, excluem-se mutuamente; porém,
contrárias[3].
Com isto desejamos pensar que toda ciência propriamente dita não está isenta em
sentido absoluto de uma ideologia qualquer; um forte exemplo disto é o
pensamento positivista que se autonomeia o representante da ciência – porém é
pleno de ideologias.
Podemos estabelecer as relações
entre ciência e ideologia como uma relação
entre
proposições contrárias, onde A = ciência; E= Ideologia; sendo que ab são os
conteúdos aplicados.
Ora, nas relações entre proposições
contrárias, temos o seguinte esquema:
(1)
Se Aab = V (verdadeiro) → Eab = F (falsa)
(2)
Se Aab = F → Eab = ? (não se pode afirmar nada)
(3)
Se Eab = V → Aab = F (logo, a ideologia será tomada como ciência);
(4)
Se Eab = F → Aab = ? (não se pode afirmar nada)
Ex:
(1) Se a teoria da evolução for verdadeira, a teoria da geração expontânea da
Lamarck é falsa; (2) se a teoria da evolução for falsa, isto não implica que a
teoria da geração expontânea de Lamarck seja verdadeira; (3) Se a teoria da
geração expontânea de Lamarck for verdadeira, ela assume papel de ciência –
dado que o verdadeiro mescla-se com o científico[4] -
e torna a teoria da evolução de Darwin falsa; (4) e ainda, se a teoria da
geração expontânea de Lamarck for falsa, isto não diz necessariamente que a
teoria da evolução de Darwin seja verdadeira.
ANEXO: QUADRADO DAS OPOSIÇÕES

Aab
Eab
Subalternas
contraditórias subalternas
Iab
Oab
subcontrárias
Contrárias: Aab e Eab /
Se uma for verdadeira, a outra é falsa;
se uma for falso, não se sabe se a outra é verdadeira ou não.
V
= > F
F
=> ?
Contraditórias: Aab e Oab / Iab e Eab
V => F
F => V
Subcontrárias: Iab e Oab
F => V
V => ?
Subalternas: Aab e Iab / Eab e Oab
Universal V => Particular V
Universal F => ?
Particular F => Universal F
Particular V => ?
Ainda
sobre o termo ideologia:
Este
termo foi criado em 1801 por Destut de Tracy para designar a análise das
sensações e das idéias.
O
sentido moderno deste termo denota qualquer forma de pensamento que não tenha
caráter de validade objetiva, porém mantida pelos interesses claros ou ocultos
daqueles que a utilizam.
A
partir do século XIX a noção de de ideologia passou a desempanhar função
central no pensamento social devido à grande influência do marxismo nascente,
sobretudo na luta da denominada classe burguesa por Marx. Segundo Marx as
instituições socias são formadas a partir do processo histórico da economia (o
chamado materialismo histórico); não compreender a sociedade a partir desta
perspectiva é para os marxista uma forma clara de ideologia.
Para
Pareto a noção de ideologia, está ligada à noção de teoria não-científica,
entendo-se por esta última qualquer teoria que não seja lógico-experimental.
Em
geral, pode-se denominar ideologia toda crença usada para o controlo dos
comportamentos coletivos, entendendo-se o termo crença, em seu significado mais
amplo, como noção de compromisso da conduta, que po ter ou não validade
objetiva. Entendido nesse sentido, o conceito de ideologia é puramente formal,
uma vez que pode ser vista como ideologia tanto quanto uma crença totalmente
infundada, tanto uma crença totalmente infundada quanto uma irrealizável. O que
transforma uma crença em ideologia não é sua validade ou falta de validade, mas
unicamente sua capacidade de controlar os comportamentos de determinada
situação[5].
Esquematicamente,
podemos estabeler quanto ao termo ideologia:
Ideologia
= Interesses Específicos
De classe
·
O termo epistemologia
Este termo possui dois equivalentes:
teoria do conhecimento e gnoseologia. Alguns especialistas fazem distinções
entre eles, todavia, aqui ele será tomodo no seu sentido geral e aplicado a
todas as áreas do saber e não somente às ciências naturais.
Sistematicamente, a epistemologia
trata de um problema de cunho filosófico que diz respeito às demais áreas do
saber humano: o problema do conhecimento. Impõe-se-nos as questões “como posso
conhecer”? ou ainda, “como posso chegar a conhecer os fatos sociais”? A esta
segunda pergunta se direciona a epistemologia das ciências sociais. Vemos que
na história do pensamento o problema do conhecimento tanto geral (filosofia)
como específico (demais ciências) sempre esteve ligado a uma postura anterior,
podemos mesmo dizer, filosófica. De modo didático e muito limitado, esboçamos
as principais posições epistemológicas, citando exemplos de alguns expoentes
delas:
Absoluto (Platão)
Realismo
Referencial (Aristóteles, Tomás de Aquino)
Fenomenológico (Scheler)
Transcendental (K. Rahner)
Nominalismo
(Okham)
Racionalismo (Descartes, Leibniz)
Epistemologia
Empirismo (Hume, Locke)
Transcendental (Kant)
Idealismo
Absoluto (Hegel)
Fenomenológico (Husserl)
Existencialismo (Heidegger, Sartre)
Hermenêutica
(Gadamer)
Analítica (Wittgenstein)
A
CONCEPÇÃO CLÁSSICA DE CIÊNCIA
A
concepção de ciência em Platão
Exórdio:
Platão pode ser
considerado um contribuinte para a atual ciência?
Em que medida o
realismo absoluto platônico ajude e prejudica as ciências naturais?
Justificativa:
Visão pitagoreana
da realidade: o universo é contituído em razões matemáticas, assim como a
música. O universo como um todo é uma grande harmonia matemática e cabe ao
investigador descobrir essas proporções na efetividade. Desse modo, pode-se
dizer que Platão influencia a visão moderna de ciência, em que temos, por
exemplo, a frase de Galileu: “O universo está escrito em forma matemática, para
o entendermos, temos que aprender sua linguagem”.
1)
O
caminho da ciência
A concepção de
ciência platônica está diretamente relacionada à sua compreensão ontológica.
Partindo do problema da querela pré-socrática entre mobilismo e ser estático,
aparece um problema: não é possível haver conhecimento científico das
realidades múltiplas porque os sentidos são somente fontes de opnião.
Um auxílio para
resolver tal problema Platão assume o método dialético de Sócrates, mas ao seu
modo, elevando a dialética à verdadeira ciência e própria do filósofo. Assim
como em Sócrates, somente a dialética constitui caminho necessário para a verdade.
2)
Conceito
platônico de ciência
Platão assume a
postura do ser estático de Parmênides, mas o coloca numa esfera da realidade
totalmente distinta da esfera do sentidos, já que esses tem acesso somente ao
que é mutável. Assim, SER E CONHECER são coisas correlativas. Isto quer dizer
que tanto maior é a participação de algo no ser, e assim, tal coisa é mais
perfeita como as idéias, tanto mais perfeito é conhecimento possível de tal
coisa – observamos que essa postura platônica vai contra ao parâmetro da
ciência descritiva moderna.
Entretanto, entre
o ser e o não-ser existe uma esfera intermediária, ou seja, o ser em movimento,
o devir, havendo desse modo um certo conhecimento, imperfeito, dessa realidade
que em certa medida é, mas também não é porque é mutável.
Assim, temos:
|
o)/n
|
e)pisth/mh, gnw=sij
|
|
|
mh/ o/)n
|
a)gnwi/a, a)gnwsi/a[6]
|
|
|
ge/nesij[7]
|
do/ca
|
|
|
Realidade
|
Meio
de conhecimento
|
|
|
e/)cw tou= ou)ranou=
|
to/ nohto/n
|
|
|
o(rato/n
|
a)
região
celeste
b)
mundo
terrestre (o(rato/n,
ge/noj, ta/ o(rata/)
|
|
E ainda pode-se
ver que há 3 tipos de conhecimento:
|
CONHECIMENTO
|
OBJETO
|
MEIO
DE AQUISIÇÃO
|
|
Sensitivo
|
Seres
materiais
|
Sentidos
|
|
Racional
discursivo
|
Número
e quantidade
|
Imaginação,
razão discursiva
|
|
Racional
intuitivo
|
Seres
imateriais e não quantitativos
|
Entendimento
|
A ciência perfeita
é a ciência do racional intuitivo porque é conhecimento das idéias.
3)
Alegoria
da linha dividida em segmentos[8]
|
Mundo
visível (
to/ o(rato/n - to/ docasto/n)
|
1º.
Ei)ko/nej: imagens, sombras, reflexos,
etc. Atuação da imaginação e a conjectura
que interpreta as imagens e as sombras
|
Opnião
(do/ca)
|
|
2º.
Obejtos materias, sensíveis e visíveis (animais, plantas e coisas
fabricadas). Atuação da pi/stij
|
||
|
Mundo
intelegível (to/ nohto/n)
|
3º.
Objetos inteligíveis da matemática. A alma utiliza imagens para ter uma
hipótese, e assim, pela dialética, chegar a uma conclusão. Atuação da razão
discursiva (dia/noia), que recorre ao sensível para chegar ao inteligível.
|
Ciência
( e)pisth/mh)
|
|
4º.
Objetos inteligíveis puros, que a razão alcança sem recorrer ao sensível
(idéias). Atuação da inteligência pura (nou=j, no/hsij). Trata-se da ciência
perfeita, ou seja, a dialética. Único meio de se alcançar um princípio
absoluto, i.d, não hipotético.
|
4)
Alegoria
da caverna (Rep. 514ª-518ª)
5)
A
dialética
5.1. aspecto lógico:
a)
movimento ascendente: síntese – elimina-se as diferenças, reduz-se a
multiplicidade confusa e indeterminada à unidade concreta e determinada
expressa num conceito comum.
b)
movimentos descendente: análise – divide-se um conceito geral em suas espécies
distintas, seguindo suas particularidades, até chegar a uma espécie indivisível
na qual se encontra a forma própria do objeto
tratado.
5.2 aspecto ontológico:
A dialética é elevada ao nível de
ciência suprema, verdadeira ou i(kano/n cujos objetos são as entidades
transcendentes do mundo ideal. Assim, ao
grau supremo do ser corresponde o grau supremo do conhecer (a dialética).
Todas as demais ciências ficam
reduzidas a mera propedêutica para a dialética.
O entendimento (nou=j) e a sabedoria (fro/nhsij) somente se aplicam com exatidão
quando se trata do verdadeiro ser (to/ o(/n o(/ntwj). Por isso, a dialética é a
parte mais difícil da filosofia. Enfim, emerge a diferença entre os filo/sofoi
e os filo/docoi.
6)
Considerações
finais
- os filósofos
platônicos acreditam na racionalidade subjacente do universo e na importância
de descobri-lo;
- a contribuição
platônica para a ciência é a valorização do mundo enquanto realidade matemática
(influência da escola pitagórica), e assim, reafirma a concepção moderna de
ciência enquanto realidade descritva – que em si difere da platônica.
- as ciências
ditas naturais são formas de saber secundárias no modelo platônico e devem,
numa organização política ideal, ser próprias das classes inferiores.
ARISTÓTELES
O Conceito de ciência
FRAILE, G. História
de la filosofia: Grecia y Roma. 3. ed. Madrid: BAC, 1971, p. 436-49.
- A indução (Anal. Post. II 19, 100ª1-8; Met. I, I
980b26-982a3)
- Graus do conhecimento sensitivo:
1)
Sensação
2)
Memória
3)
Experiência (e)mperi/a)
4)
Conceito universal
5)
Arte (te/xnh/)
: “o conceito universal, enquanto visa às coisas sujeitas à mudança, à
geração e à corrupção, é o fundamento da arte, que tem por objeto a ação e a
produção” (Fraile, p. 442).
6)
Ciência (e)pisth/mh)
: “o conceito universal constitue o fundamento da ciência. Depois de ter sido
inventadas todas as artes, as ciências foram inventadas, que não têm por objeto
imediato a necessidade nem o prazer” (idem).
- Divisão das ciências (Met. VI):
|
Ciências
|
||
|
Teóricas
|
Práticas
|
Poéticas
ou produtivas (várias)
|
|
1)
Física (ente móvel)
|
1)
Política
|
-
medicina
|
|
2)
Matemática (ente quanto)
|
2)
Economia
|
-
ginástica
|
|
3)
Teologia (substância separada e eterna)
|
3)
Ética
|
-
música
|
|
|
-
dialética
|
|
|
-
retórica
|
||
|
-
poética
|
||
|
Ciências
gerais: Filosofia Primeira; Analítica (lógica) e Gramática
|
||
O
problema da ciência de Descartes a Hegel
Visão
Geral
Crise do
“aristotelismo” na ciência:
1) Início
da “crise”:
Método de eliminação de
Grosseteste: uma afirmativa pode ser deduzida de mais de um conjunto de
premissas, a melhor abordagem é eliminar todas as explicações, menos uma.
Navalha de Okham
2) Arisitotelismo
dogmático e modernidade:
2.1 A idéia do novo
2.2 Aristóteles como autoridade
atemporal nos assuntos de física
2.3 Crise entre o descoberto pela
ciência nova (experimental) e o dado da autoridade.
3) Galileu
e o ataque a Aristóteles.
3.1 Visão pitagoreana da
realidade: o universo está escrito em caracteres matemáticos.
3.2 Polêmica não contra o método
indudivo-dedutivo de aristóteles. Se aristóteles tivesse tido um telescópio,
provavelmente concordaria contra com Galileu. Crítica à adoção dos primeiros
princípios sem considerar nenhuma referência ao que é dado à sensibilidade pela
natureza (método de observação).
4) Bacon
4.1 Crítica ao método
aristotélico: expurgar o pré-conceito do filósofo natural.
Teoria dos idola:
- da tribo: natureza humana
(julgamento dá maior regularidade do que realmente existe)
- da caverna: fruto da educação
humana.
- da praça do mercado: distorções
dos termos.
- do teatro: tradição fechada
(dogmatismo).
5)
Descartes: crítica “real” ao método
aristotélico – pois se parte sempre dos primeiros princípios, sem considerar o
dado da sensibilidade.
- Método cartesiano:
a) dúvida metódica (influência de
Bacon)
b) análise
c) síntese
d) revisão
- a “mathesis
universalis”: A mathesis não é uma substância, mas um método: por isto pode ser
aplicada a toda a realidade. A mathesis
universalis deve exprimir as leis fundamentais da razão humana e estender-se a
todas as verdades demonstráveis.
Não se trata da
lógica formal porque Descartes a identifica com a escolástica, com a
silogística. Ela tem por objeto as relações e as medidas.
Como se trata de
relação e medida, é necessário existir uma enumeração
completa. É um recorrer à memória para rever clara e distitamente as partes
que nos conduziram ao conhecimento de algo.
6) O
empirismo e o retorno a Aristóteles
6.1 Locke:
O “Ensaio sobre a
inteligência humana” se divide em quatro livros:
1. negação que
existem princípios inatos;
Ainda que houvesse
verdades sobre as quais todos os homens concordassem, isso não
demonstraria de fato que tais idéias são
inatas. Aliás, não existem idéias sobre as quais todos os homens concordem. Por
exemplo, as crianças e os homens rudes não têm nenhuma idéia do princípio de
não-contradição.
“Somente por graus adquirimos as idéias e
seus termos e aprendemos seu recíproco vínculo apropriado.”
Todas as idéias
derivam da experiência, que pode ser:
a. externa: sensação
b. interna: reflexão
6.2 o ceticismo de Hume:
a)
Idéias
simples e compostas
b)
Negação
da causalidade
7) Kant
Caráter sintético do pensamento
kantiano para a ciência – os juízos sintéticos a priori
a)
valorização
da experiência através do múltiplo dado à sensibilidade (empirismo, novo
aristetelismo).
b)
Valorização
dos primeiros princípios como imutáveis, porque são a priori
(racionalismo).
c)
Super-valorização
do conhecimento das ciências naturais como única forma de conhecimento válido.
8) Hegel
e a crise do método da ciência moderna
- Devido à dialética do espírito,
cada fase da ciência é um momento necessário da manifestação da razão na
história. Assim, não há necessariamente uma ciência ou método científico
exclusivamente verdadeiro.
- Função do momento histórico na
determinação da ciência.
- Subordinação da ciência natural
à filosofia
[1]
ARISTÓTELES, Primeiros Analíticos, I,
2, 71b 9ss.
[2]
COMTE, A. Curso de Filosofia Positiva,
I §4.
[3] Tiramos
esta expressão do clássico quadrado das oposições da lógica (vejo anexo acima).
[4] No
sentido apontado por nós.
[5] Cf. IDEOLOGIA. In : ABBAGNANNO, N. Dicionário
de Filosofia. São Paulo: Marins Fontes, 2001, p. 531-33.
[6]
Ignorância.
[7]
Vir-a-ser, devir. Provavelmente há uma relação semântica com o gh= (terra) e também com o verbo gignomai=. Um tradução do uso é criatura, que
tem origem na terra, ou seja, criatura material.
[8]
Rep. 509d-511e
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